Menina de 10 anos morreu no Roberto Silvares após atendimento de falso médico, diz mãe



A mãe de uma menina de 10 anos morta em janeiro deste ano acusa o falso médico que atendia no Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, de ser o responsável pela morte da filha após ter recebido a prescrição médica do falso profissional, preso em uma operação da Polícia Federal nesta semana durante o expediente na unidade hospitalar do Norte do Espírito Santo.

De acordo com a investigação, Leonardo Luz Moreira atuava como médico havia pelo menos três anos, e neste período recebeu salários que totalizados chegam a R$ 850 mil. A Polícia Federal informou ter conhecimento sobre a morte da menina e utiliza o caso para reforçar a gravidade das condutas praticadas pelo investigado.

A mãe da garota, a professora Alessandra Ferreira Marcelino narra que a filha, Ana Luisa Ferreira Marcelino da Silva, começou a passar mal na noite do dia 11 de janeiro, reclamando de dores na barriga e que, após fazer vômito por três vezes, decidiu levar a criança até o Hospital Roberto Silvares, em São Mateus.

“No terceiro episódio dela de vômito, fomos para o hospital. Quando passamos pela triagem, relatei que ela tinha vomitado três vezes, ela recebeu uma pulseirinha laranja e, depois de 20 minutos, ele [o falso médico] nos chamou. Na cadeira ele estava e lá ele ficou. Não colocou a mão na minha filha”, disse.

De acordo com o relato da mãe, o falso médico disse que o caso se tratava de uma gastroenterite e que não adiantaria medicar a menina, pois a mucosa dela estava irritada. A mulher relata que ainda pediu uma receita médica ao homem e ele teria dito para ela continuar dando o medicamento que usou quando a menina começou a vomitar e que poderia dar até refrigerante, se ela pedisse, para não contrariá-la.

“Perguntei se não ia examinar ela e ele disse: ‘não é o protocolo. Estamos em Covid e evitamos o contato, ela vai tomar um remedinho e vai ficar bem”
Alessandra Ferreira Marcelino – Mãe da menina

Após receber a prescrição médica do investigado, a mãe afirma que ela e a filha foram para a sala de medicação, onde o quadro de saúde da garota se agravou.

“Na hora que a enfermeira pulsionou a veia dela, minha filha começou a ficar pálida. Quando começou a aplicar a injeção com medicação, minha filha começou a gritar ‘mamãe, meu coração está doendo’, a enfermeira foi retirando tudo e minha filha começou a convulsionar na minha frente”, desabafa.

Neste momento, as enfermeiras começaram a tentar reanimar a menina e, segundo a mãe, o médico afirmou que a criança havia “voltado”.

“Ele disse que minha filha era uma leoa, uma guerreira. Menos de cinco minutos depois, ele voltou e disse que ela havia falecido, já nas primeiras horas da madrugada do dia 12 de janeiro”, disse.

Na tarde desta quinta-feira (19), Alessandra Ferreira Marcelino prestou depoimento na Delegacia de São Mateus. O Boletim de Ocorrência da polícia, a que a reportagem de A Parresia obteve acesso, narra que o médico não examinou a menina, que disse que vítima estava com uma gastroenterite e passou três medicamentos para serem ministrados via endovenosa. O boletim narra também que quando a enfermeira começou a ministrar o primeiro medicamento diretamente na veia, a criança começou a gritar que seu coração esta doendo. A enfermeira então parou de aplicar o medicamento imediatamente Ana Luisa começou a convulsionar.

O boletim diz ainda que a menina foi levada para área de emergência pediátrica e, uma técnica de enfermagem tentou ajudar nas convulsões enquanto a mãe gritava por socorro. O suposto médico surgiu e tentou reanimar a criança, afirmou que ela havia “voltado” e que iria na UTI buscar um determinado equipamento. Ao retornar com o equipamento, o médico entrou na sala onde a criança estava e, alguns minutos depois, saiu, dizendo para a mãe que sua filha havia morrido.

Alessandra explica que não quis trazer o caso à tona, na época, porque não queria acusar o falso médico sem ter provas. “Ele deveria ter colocado a minha filha no soro, visto se ela estava desidratada antes de colocar o medicamento na veia… Eu estava sem forças para acusar ele de omissão de socorro”, diz.

"Ele matou a minha filha, não a socorreu. Ele não tinha como examinar a minha filha, ele não era médico."
Alessandra Ferreira Marcelino- Mãe da menina

Nós não conseguimos contato com a defesa do homem citado.

A Gazeta/ A Parresia



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