MINISTÉRIO PÚBLICO ES | Gaeco ajuíza denúncia criminal contra 40 integrantes de organização criminosa


Entre eles estão 9 advogados suspeitos de realizar a comunicação entre presidiários e líderes da facção. Eles foram proibidos de exercer a advocacia e tiveram a prisão domiciliar decretada, com uso de tornozeleira.

Membros do Gaeco chegam à sede do Ministério Público do ES, em Vila Velha, ES, com documentos obtidos pela Operação Armistício — Foto: Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ajuizou denúncia criminal em face de 40 integrantes de uma organização criminosa denominada Primeiro Comando de Vitória (PCV), após análise de extenso material probatório. Entre os denunciados estão nove advogados envolvidos com a facção, conforme demonstrado em provas obtidas no bojo da chamada “Operação Armistício”.

A denúncia foi recebida pela Justiça, que procedeu a ação penal em face dos 40 réus e determinou a suspensão do exercício da advocacia para nove advogados, além da prisão domiciliar e monitoramento eletrônico por tornozeleira. Os demais réus tiveram a prisão preventiva decretada.

Na sexta-feira (13/08) foi efetivada a prisão de mais uma advogada, em continuidade à primeira fase da Operação Armistício, deflagrada pelo Gaeco com o apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar do Espírito Santo (Dint- PMES) e do 7º Batalhão da Polícia Militar, no dia 19 de julho de 2021, para apurar crimes praticados pela organização criminosa, com a participação de advogados. Eles se utilizaram indevidamente de prerrogativas essenciais à advocacia para garantir a comunicação criminosa entre lideranças da facção, que se encontram custodiadas em unidades prisionais do Estado, com integrantes em liberdade e foragidos do sistema judiciário. As investigações tiveram início em 2019.

As medidas judiciais de interceptações telefônicas e telemática, dentre outras diligências investigativas, culminaram na obtenção de provas de tráfico de drogas, aquisição e porte de armamentos e munições, execução e planejamento de crimes de homicídio, queima de ônibus e outras ações violentas. Esses crimes eram executados por meio dessa comunicação exercida por advogados.

Dentre os crimes imputados estão os de integrar organização criminosa, associação para o tráfico e tráfico de drogas. Os autos tramitam perante a 10ª Vara Criminal de Vitória.

As investigações decorrentes da Operação Armistício também permitiram a identificação de outro núcleo criminoso, com a participação de uma advogada, já suspensa da atividade por decisão judicial. A denúncia oferecida envolve imputações de crimes de tráfico de drogas e de associação para o tráfico. A ação referente a esse caso também tramita perante a 10ª Vara Criminal de Vitória.

Ministério Público do ES


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