Veneciana encontra mãe após 33 anos


A vida da veneciana Marina Kriger Krauser, hoje com 33 anos, virou de ponta cabeça quando ela descobriu sua história e encontrou a mãe biológica e os irmãos de sangue. Por meio de buscas e acompanhamento feito por meio da Rede Nova Onda, Marina conseguiu localizar a mãe, Rosa Sá de Jesus, dona Rosinha, que atualmente mora em Vitória, com uma outra filha. 

Uma declaração feita em um cartório de Nova Venécia no dia 3 de março de 1988, mostra que Marina foi entregue a um casal, pais adotivos de Marina, que a criaram com muito amor e carinho. No documento consta ainda que Marina ainda era um bebê, nascida há pouco mais de 30 dias. 

Ela foi criada pelos pais adotivos, Arthur Guilherme Carlos Krause e Herta Kriger Krauser, hoje falecidos. Somente agora, com 33 anos, Marina teve coragem e resolveu buscar informações e conhecer sua família biológica. Até então a informação, não oficial, era de que sua mãe biológica havia morrido há vários anos. 

Marina diz ainda que, enquanto estiveram vivos, seus pais adotivos nunca esconderam que ela era adotada e nunca foram contra ela procurar os pais biológicos. 

Após as primeiras pistas de que sua mãe estava viva, conseguidas por meio da Rede Nova Onda, as surpresas começam a surgir, e foi uma atrás da outra. A primeira notícia que a surpreendeu foi de que dona Rosinha, a mãe biológica, estaria viva e morando em Vitória. Além disso Marina passou a saber que tinha outros irmãos. 

No período em que a Rede Nova Onda organizava o reencontro de Marina com a mãe, uma irmã, Amanda, ligou para Marina, se identificou, e mãe e filha passaram a se falar. As surpresas continuaram. Marina descobriu que tem outros seis irmãos que moram em Nova Venécia, Vitória e Teixeira de Freitas-BA. 

Muito emocionada, Marina afirma que a ficha ainda não caiu e gravou um vídeo emocionante nas redes sociais. “Hoje estou tendo contato com minha mãe e com meus irmãos de sangue. Ainda não consegui falar com dois irmãos. Nesse momento estou vivendo um turbilhão de coisas na minha cabeça. Não tenho mágoas. Quero agora encontrar com minha mãe biológica e meus irmãos para saber sobre nossas histórias. É preciso ouvir e saber as circunstâncias que levaram a isso tudo”, disse Marina emocionada. 

A fuga da chacina 

Antes de Marina ser entregue aos pais adotivos em Nova Venécia, uma história trágica quase muda esse desfecho. Rosa Sá de Jesus, a dona Rosinha, conta que foi trazida de uma fazenda na região de Três Corações, em Minas Gerais, junto com outras quatro pessoas, para ser assassinada. 

Ela afirma que um homem havia encomendado a morte do próprio avô, um fazendeiro muito bem de vida daquela região, para quem dona Rosinha trabalhava. A ideia do neto era ficar com a herança, já que ele havia sido criado pelo avô. 

Em um determinado dia, dois pistoleiros contratados pelo neto entraram na casa sede da fazenda e sequestraram o patrão, a patroa de Rosinha, além de um irmão do fazendeiro e uma sobrinha. Rosinha também foi sequestrada porque estava na casa no momento do sequestro e seria morta como queima de arquivo. 

Ela conta que as vítimas foram trazidas ao interior de Nova Venécia, para uma região conhecida como ‘Bananeira’. Os assassinos executaram as quatro vítimas a tiros. Ela disse ainda que três pessoas morreram na hora e a sobrinha do fazendeiro morreu após três meses, também por consequência dos tiros. 

Dona Rosinha conseguiu fugir correndo e se embrenhando no meio de um matagal onde disse ter ficado até o dia seguinte. Quando ficou de dia ela saiu do local e buscou ajuda em uma fazenda da região. 

“Nós fomos trazidos para morrer em Nova Venécia. Eu consegui fugir no dia que eles iam me matar”. 

Após um período, os suspeitos da chacina foram presos e Dona Rosinha, que estava em Nova Venécia, também foi presa. Ela precisou fazer o reconhecimento, ficando frente a frente com os assassinos, e prestar depoimento para elucidar o crime. Ela conta ainda que ficou quase dois meses presa, período em que a Polícia da época levou para apurar os fatos. 

Após ter sido solta, dona Rosinha permaneceu em Nova Venécia por um tempo, quando acabou tendo filhos. Como ela estava jurada de morte pelos pistoleiros e também pelo neto do fazendeiro, ela se viu obrigada a fugir, indo para Vitória onde começou a reescrever um novo capítulo em sua vida.

Fonte: Nova Onda Online



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