Custo de vida mais caro faz brasileiro ter que se virar para economizar


Com inflação em alta, brasileiros têm que se virar para conseguir economizar no fim do mês


Uma das principais preocupações, a gasolina, já custa mais de sete reais em algumas regiões do país. Para tentar driblar os preços, vale de tudo: recorrer à aplicativos, deixar o carro em casa e até mudar o combustível do veículo. São iniciativas como estas que você vai acompanhar a partir de agora, na série "Como sobreviver à inflação?".
Energia, gás, mercado, combustível: contas que não cabem no bolso e fazem com que muitos brasileiros tenham que economizar para não entrar no vermelho no fim do mês. Para driblar o aumento dos preços, é preciso planejar e colocar tudo na ponta do lápis.

Um dos grandes vilões, a gasolina, já custa mais de 7 reais o litro, em algumas regiões do país. O alto valor acendeu o alerta e muita gente está buscando alternativas para reduzir o consumo do combustível.

Na casa da servidora pública Áurea Viana, onde moram quatro pessoas, a solução foi deixar o carro na garagem. Como a família mora longe do comércio local, o jeito foi se adaptar: usar mais a moto, e combinar as compras para um dia só, reduzindo o número de viagens longe de casa.

"Quando a gente precisa sair, a gente tem que combinar para ir num carro só, e fazer as coisas de uma vez só e voltar todo mundo junto para casa. O que dá pro meu marido comprar, quando ele vai de moto, ótimo. A gente está comprando pão de forma porque ele não fica duro de um dia para o outro, para não ter que ir na padaria todos os dias. Eu faço tapioca em casa. São coisas que a gente tem feito ultimamente".

O motorista, Jorge Lima Júnior, de 49 anos, decidiu fazer um grande investimento para poupar no mês: ele gastou mais de 4 mil reais para adaptar o carro e usar o gás natural veicular, o GNV. Apesar do custo inicial, Jorge avalia que a mudança compensa.

"“O que eu economizo no dia a dia, a diferença é gigante. Hoje, o motorista gasta em média de R$ 100 a R$ 150 por dia trabalhado em combustível. Se eu trabalho no GNV - agora teve aumento -, a gente gastava R$ 54; com o último repasse, hoje a gente gasta R$ 75. Mas mesmo assim, R$ 75, é muito menos da metade do que os outros gastam.”

E para quem depende do carro para trabalhar, a alta dos combustíveis preocupa ainda mais. Para tentar amenizar o impacto, há quem busque parcerias com donos de postos e até mesmo usa aplicativos novos, que permitem descontos no abastecimento. Outra solução é o cadastro com pagamentos de mensalidades para garantir uma cobrança menor pelo litro da gasolina. Motorista de aplicativo, Manoel Scoobie garante que tudo isso vale a pena para economizar.

“Nós estamos buscando essas parcerias para ver se a gente consegue respirar, porque os aplicativos não mexeram na tarifa. Tudo no mercado teve reajuste. Não só gasolina, como manutenção de carro, troca de óleo, alimentação, vestimentas, tudo revê reajuste e a nossa tarifa não teve nenhum reajuste. O atendimento está ficando ruim para passageiros, com cancelamentos, demora para chegar um carro. E daí o app novo chegando agora, eu como motorista e líder de movimento estou levando as demandas para dentro do app para ficar bom para o motorista e passageiro.”

O especialista em trânsito e comentarista da CBN, Davi Duarte, afirma que para economizar ainda mais, a dica é ter uma direção mais econômica.

"O que é isso? É evitar acelerações bruscas, acesso de velocidade, manter uma velocidade mais ou menos constante de acordo com o fluxo, trocar marchas com a rotação adequada, calibrar os pneus, porque muitas vezes pneu murcho aumenta o consumo de combustível".

O professor de economia do Insper, Roberto Dumas, explica que o aumento da gasolina segue o mercado internacional, já que a demanda por petróleo cresceu no mundo após a recuperação econômica dos países. O problema é que o economista acredita que os preços não devem cair tão cedo.

"Pode subir mais um pouco. Mas subir do jeito que vimos acho muito difícil. Mas o que eu posso dizer é: a tendência de voltar a cair? Difícil, principalmente agora em um momento mundial com abertura de economia. Ou seja, passagem aérea, voos, a demanda pelo petróleo e gasolina vai aumentar".

O reajuste na gasolina ainda é um dos fatores para o aumento dos alimentos, que também estão em alta no país. Para equilibrar as contas do mercado, as pessoas estão adaptando o cardápio, mudando rotinas de compras e até negociando com fornecedores. É isso que você vai acompanhar no próximo capítulo da série.

Fonte: CBN



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