EUA: Internações de crianças aumentam com avanço da variante delta

NIAID - Imagem de microscópio eletrônico de varredura mostra SARS-CoV-2

As internações pediátricas por Covid-19 aumentaram durante o verão no Hemisfério Norte, à medida que a altamente contagiosa variante Delta se dissemina pelos Estados Unidos, apontam dois novos estudos realizados pelo Centro pela Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Do fim de junho ao meio de agosto, as taxas de internação de crianças e adolescentes aumentaram quase cinco vezes, mas permaneceram um pouco inferior ao pico de hospitalizações visto em janeiro, segundo uma das pesquisas.

As vacinas, contudo, fizeram a diferença: durante o surto atual, as taxas de internação são dez vezes maiores em adolescentes não vacinados quando comparados aos que já completaram seu ciclo vacinal. As internações pediátricas foram quase quatro vezes maiores em estados com as menores taxas de inoculação do que nas unidades federativas com os melhores índices.

Os estudos, divulgados na sexta-feira, não deixaram claro se os casos causados pela Delta em crianças e adolescentes são mais graves que em cepas anteriores do vírus. O aumento das internações pediátricas, apontam os especialistas, pode também ser uma consequência, da maior transmissibilidade da cepa.

Um dos estudos, inclusive, concluiu que a proporção de crianças internadas com casos graves de Covid não aumentou no fim de junho e no início de agosto, quando a variante se tornou predominante nos EUA.

Também não parece que a variante Delta esteja afetando a incidência de doenças graves ou mortes entre crianças, que têm sido relativamente baixas durante a pandemia. Entre as crianças e adolescentes hospitalizados de 20 de junho a 31 de julho, por exemplo, 23,2% foram admitidos na UTI, 9,8% necessitaram de ventilação mecânica e 1,8% morreram — números similares aos pré-variante Delta.

Os dados analisados pelo CDC são baseados em informações de dois sistemas nacionais de controle epidêmico, incluindo hospitais em 49 estados e na capital, Washington. Em um dos estudos, os pesquisadores descubriram que, desde julho, a taxa de novos casos aumentou para crianças com 17 anos ou menos, assim como visitas a emergências e internações relacionadas ao vírus.

Ele também constatou que as internações e visitas aos hospitais devido à Covid-19 entre crianças foram três vezes maiores em estados com baixas taxas de vacinação, em comparação com os mais avançados — sinal da importância da vacinação comunitária para proteger as crianças. Outros fatores que podem influenciar as variações regionais incluem o uso de máscaras e o respeito às diretrizes sanitárias.

No mês passado, com o aumento do Delta, a incidência da Covid em crianças aumentou em relação ao início do verão — chegando a 16,2 casos por 100 mil crianças de 4 anos ou menos; 28,5 casos por 100 mil crianças de 5 a 11 anos; e 32,7 casos por 100 mil crianças de 12 a 17 anos.

As taxas representaram um aumento significativo com relação aos números de junho, quando registravam-se 1,7 caso por 100 mil crianças de 4 anos ou menos; 1,9 casos por 100 mil crianças de 5 a 11 anos; e 2,9 por 100 mil crianças entre 12 e 17 anos.

A proporção de pacientes Covid com menos de 17 anos que foram internados em unidades de terapia intensiva variou de 10% a 25% de agosto de 2020 até junho do ano passado, e esteve ao redor de 20% em julho de 2021, de acordo com o estudo do CDC.

Em um segundo estudo, os pesquisadores analisaram dados da rede de vigilância Covid-Net, que inclui informações sobre hospitalizações em 99 condados em 14 estados. Durante o curso da pandemia, entre 1º de março de 2020 e 14 de agosto de 2021, houve 49,7 hospitalizações relacionadas à Covid por 100 mil crianças e adolescentes, descobriram os pesquisadores.

As taxas semanais, contudo, têm subido desde julho. Durante a semana que terminou em 14 de agosto, houve 1,4 hospitalização relacionadas à Covid para cada 100 mil crianças, em comparação com 0,3 no final de junho e início de julho.

As taxas de internação aumentaram de forma mais acentuada para crianças de 4 anos ou menos. Na semana que terminou em 14 de agosto, o número chegou a 1,9 por 100 mil crianças desta faixa etária, quase 10 vezes mais do que no final de junho.

Fonte: Agência O Globo


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