HRBA lança campanha de incentivo à doação de órgãos


Desde 2012 a unidade é habilitada pelo Ministério da Saúde na captação de múltiplos órgãos. Há cinco anos o HRBA também realiza transplantes de rins.

O HRBA é dirigido pelo veneciano Hebert Moreschi, que falou durante o lançamento da campanha sobre a importância da conscientização das pessoas quanto a necessidade da doação de órgãos.

Em alusão ao Setembro Verde, mês que promove a conscientização sobre a importância dos transplantes de órgãos, o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, oeste do Pará, lançou nesta quarta-feira (1) a campanha “Converse com sua família. Doe Órgãos. A vida precisa continuar”.

A campanha tem como objetivo integrar as ações de incentivo e conscientização sobre a doação de órgãos no país, prestando orientações, esclarecendo dúvidas e combatendo mitos envolvendo o procedimento. No hospital, o Setembro Verde segue até 30 de setembro com diversas atividades.

O HRBA, unidade que pertence ao Governo do Pará, gerenciado pela entidade filantrópica Pró-Saúde, é habilitado desde 2012 pelo Ministério da Saúde na captação de múltiplos órgãos, sendo habilitado ainda para transplante de rins desde novembro de 2016. No período, até o final do mês de agosto deste ano, o Regional do Baixo Amazonas já realizou a captação de 138 órgãos e realizou 62 transplantes de rins.

Durante o lançamento da campanha, no auditório do hospital, participaram profissionais de saúde, a direção da unidade e até mesmo ex-pacientes. Entre eles estava o servidor público Alexsandro Tenório, de 33 anos. Ele foi o sexto paciente a receber um transplante de rim no HRBA, no ano de 2017.

“Quando uma família diz sim a doação de órgãos, há continuidade da vida”, disse Tenório durante o evento. “Eu fiz hemodiálise por anos, era muito difícil, mas tinha esperança de que venceria”, comentou.

Alexsandro descobriu a doença renal em 2021. Ele conseguiu realizar o transplante e conseguir um novo rim com a ajuda da mãe, que foi a doadora.

O médico Antônio Carlos, coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO Tapajós), explica que existem dois tipos de doadores: os doadores vivos, como no caso da mãe do Alexsandro, e o doador falecido. Neste caso, são pacientes com morte encefálica, geralmente vítimas de acidentes, como traumatismo craniano, ou AVC (derrame cerebral).

“A partir do momento que existe a morte encefálica, fazemos a manutenção do paciente, que passa a ser um doador elegível. Posteriormente é feita abordagem à família porque a doação dependerá da aceitação e autorização exclusivamente da família”, explicou.

A OPO Tapajós está instalada nas dependências do HRBA e tem como objetivo identificar potenciais doadores para fins de transplantes em toda a região Oeste do Pará. A entidade também é a responsável por buscar o consentimento dos familiares para que ocorra a efetiva doação de órgãos.

“Pacientes crônicos hoje, principalmente os renais em nossa região, necessitam realizar cirurgias de transplantes para ganhar qualidade de vida. Sabemos que o momento da perda de um familiar é doloroso, mas não se trata apenas de perder, mas sim de proporcionar uma nova vida a alguém”, ressalta Alberto Tolentino, médico e coordenador da Equipe Cirúrgica de Transplante Renal do HRBA.

Desejo de doar
O médico reforça a necessidade de as pessoas manifestarem em vida o desejo de se tornarem doadores, o que facilita a compreensão da família e aceitação da doação. “Manifeste ainda em vida seu desejo de ser um doador, e ajude o próximo a ter uma nova chance”, recomenda.

Segundo dados da OPO, nos últimos 5 anos, dos 73 doadores elegíveis identificados, a taxa de aceitação das famílias foi de 42%, sendo 58% de recusa.

“Nestes dois anos de pandemia tivemos uma queda expressiva no número de doações e consequentemente redução na quantidade de transplantes renais em nosso hospital. Porém, a quantidade de pessoas que precisa de um órgão não diminuiu. Então, o Setembro Verde vem reforçar e lembrar a necessidade de doações em nossa região, pois sem a doação, não existe transplante”, ressaltou o médico nefrologista, Emanuel Esposito, coordenador do Serviço de Transplantes do HRBA.

A coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Pará (CET-PA), Ierecê Miranda, também participou da cerimônia e apresentou uma palestra com o tema “Panorama da doação e transplante no Estado do Pará pós-Covid”.

“O paciente com Covid-19 tem contraindicação para ser um doador de órgãos. Melhorado o cenário da pandemia, é tempo de retomar essas doações. O Regional do Baixo Amazonas, por sediar a OPO, e por ser o segundo notificador de morte encefálica e gerador de órgãos no Estado do Pará, tem papel fundamental para essa retomada, e que seja feita em conjunto com os profissionais da saúde, HRBA, Hospital Municipal de Santarém e população em geral”, ressalta Ierecê Miranda.

Dúvidas e preconceito
Para o diretor Hospitalar Hebert Moreschi a sociedade ainda tem dúvidas e preconceito sobre a doação, daí a importância da campanha para esclarecer a população.

"Aproveitamos o mês inteiro para mostrar à população que existe sim a necessidade da doação de órgãos. Uma doação pode salvar até oito vidas, então fale com sua família, faça uma opção pelo amor, a vida precisa continuar”, pontuou.

O Regional do Baixo Amazonas é referência para 1,3 milhões de pessoas residentes em 30 municípios da região Oeste do Pará, Xingu e Baixo Amazonas, sendo reconhecido como um dos dez melhores hospitais públicos do Brasil. 

É certificado pela Organização Nacional de Acreditação com o nível máximo de qualidade, a ONA 3 – Acreditado com Excelência. A unidade presta atendimento 100% gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e é referência no tratamento de casos da Covid-19 na região.

Hebert Moreschi diretor hospitalar do HRBA é natural de Nova Venécia e está a frente da direção do hospital há 11 anos. Sua gestão revolucionou os procedimentos na unidade e nesses 11 anos o hospital recebeu diversas premiações e certificações de qualidade.

Com informações do G1 Santarém e Região




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