'O coração vai ficar machucado pra sempre', diz irmão de Milena Gottardi após condenações

Médica foi assassinada em 2017. Ex-marido, Hilário Frasson, o pai dele, Esperidião, e outros quatro réus foram condenados pelo crime.


“Os réus vão pagar pelo que fizeram, mas vamos embora agora e ela não vai estar lá mais. Nunca mais a gente vai ver. A justiça está sendo feita, mas o coração vai ficar magoado, machucado para sempre”. A declaração foi feita pelo irmão de Milena Gottardi, Douglas, após a condenação de todos os réus pelo assassinato da médica. Desde a morte dela, ele tem a guarda das duas sobrinhas.

O Tribunal do Júri de Vitória condenou, na noite desta segunda-feira (30), os acusados da morte de Milena Gottardi, após oito dias de julgamento. O ex-marido da médica, Hilário Frasson, o ex-sogro dela, Esperidião, e outros quatro investigados foram condenados pelo crime. Hilário e Esperidião tiveram a condenação máxima pelo assassinato de 30 anos de prisão. Eles negam o crime.

A médica Milena Gottardi foi baleada na cabeça e morta no dia 14 de setembro de 2017, quando saía do hospital em que trabalhava, em Vitória, aos 38 anos.

Ao lado da mãe, Douglas disse que o sentimento pelo resultado não é de felicidade, mas de paz.

"É um sentimento diferente. Não é um sentimento de que está feliz, mas de que foi feita justiça e ela conseguiu trazer um pouco de paz, que era o que a minha irmã queria", contou.

Hilário tinha duas filhas com Milena. Na época do crime, uma tinha nove anos e a outra, um ano e 10 meses. Com a sentença, ele perdeu permanentemente a guarda das filhas. Em uma carta deixada por Milena e registrada em cartório, ela pedia que, caso lhe acontecesse algo, as filhas do casal ficassem sob os cuidados de Douglas, irmão dela e tio das crianças.

A sentença, proferida pelo juiz Marcos Pereira Sanchez, ainda definiu que os seis condenados terão que pagar indenização de R$ 700 mil para a família da médica. Nenhum deles poderá recorrer da sentença em liberdade.

O promotor do caso, Rodrigo Monte, considerou o julgamento justo e com penas razoáveis.

“Ainda temos tempo para analisar se vamos interpor recurso. Estamos todos muito cansados, mas estamos satisfeitos com o resultado”, disse.

Investigação
As investigações apontaram que o ex-marido de Milena, o então policial civil Hilário Frasson, foi o mandante do crime, junto com o pai dele. Segundo a denúncia do Ministério Público, Hilário não aceitava o fim do casamento com Milena.

De acordo com a acusação, pai e filho teriam contratado dois intermediários para encontrar um atirador. O atirador, que confessou o crime, teria encomendado ao cunhado o roubo de uma moto que foi usada no dia do crime. Os seis réus já estavam presos.

Hilário foi considerado o principal mandante do crime. O juiz disse, ao ler a sentença, que Esperidião apoiou e incentivou o filho a matar Milena.

Veja as condenações
  • Hilário Frasson
Ex-marido de Milena Gottardi, ele foi condenado a 30 anos de reclusão por homicídio qualificado, feminicídio e fraude processual. Apontado como mandante do crime, está preso desde 21 de setembro de 2017.
  • Esperidião Frasson
Pai de Hilário e sogro de Milena. Ele foi condenado por homicídio qualificado, feminicídio e fraude processual. Também mandante do crime, foi preso no dia 21 de setembro de 2017.
  • Valcir da Silva
Um dos intermediário do crime. Conhecia Hilário, porque estudou com ele. Valcir afirmou em depoimento que dois meses antes do crime recebeu uma ligação de Hilário pedindo ajuda para matar Milena. Ele foi preso no dia 21 de setembro de 2017 e condenado a 26 anos e 10 meses de reclusão por homicídio qualificado, feminicídio e fraude processual.
  • Ermenegildo Palauro Filho
Junto com Valcir, foi apontado como intermediário do crime. Conhecia Hilário e Esperidião há mais de 30 anos. Foi preso no dia 25 de setembro de 2017 e condenado a condenado a 26 anos e 10 meses de reclusão por homicídio qualificado, feminicídio e fraude processual.
  • Dionathas Alves Vieira
Apontado como atirador de Milena, ele confessou o crime. Foi contratado por Valcir e Ermenegildo para realizar o crime. Em depoimento, Dionathas disse que receberia R$ 2 mil para matar a médica. Foi preso no dia 16 de setembro de 2017.

Dionathas foi condenado a 18 anos e 8 meses de prisão por homicídio qualificado, feminicídio e fraude processual.
  • Bruno Rodrigues
Cunhado de Dionathas. Acusado de roubar a moto para que ela fosse usada no crime. Foi preso no dia 16 de setembro de 2017 e condenado a 10 anos e 5 meses de reclusão por feminicídio.

Defesa dos acusados
A defesa de Hilário, por meio do advogado Leonardo Gagno, e a de Esperidião, por meio do advogado Davi Pascoal Miranda, infirmaram que estão analisando a sentença para recurso. Ambos disseram respeitar a decisão e a soberania do júri, no entanto, segundo os advogados, há alguns pontos que serão questionados.

Os advogados de defesa de Valcir da Silva, Alexandre Lyra Trancoso e Ilsa Ribeti, consideraram a pena aplicada desproporcional em relação à condenação aplicada para o executor do crime. “A gente acredita na inocência dele e vamos recorrer”, informou Alexandre.

Fonte: G1



Postagem Anterior Próxima Postagem