Corrupção na Codesa: PF cumpre 8 mandados em operação que investiga empresa no ES


A investigação é referente ao período em que a Codesa foi uma empresa pública federal, antes de ser privatizada em 2022. O caso está no STF em razão do envolvimento de autoridade com foro por prerrogativa de função.

Porto de Vitória — Foto: Divulgação/Codesa

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de terça-feira (24), a segunda fase da Operação Corsários, que apura crimes cometidos por uma organização criminosa que desviou recursos em contratos da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), no período em que foi uma empresa pública federal. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação é referente ao período em que a Codesa foi uma empresa pública federal vinculada à Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, do Ministério da Infraestrutura. Em 2022, a companhia foi privatizada.

A companhia é responsável por administrar e explorar comercialmente os portos de Vitória e Barra do Riacho.

O jornalismo da Rede Gazeta apurou que, dos oito mandados, quatro foram cumpridos no Espírito Santo, três em São Paulo e um no Distrito Federal.

O caso está no STF em razão do envolvimento de autoridade com foro por prerrogativa de função.

Na primeira fase das investigações, a senadora Rose de Freitas (MDB) foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Três pessoas, incluindo o irmão e o primo da parlamentar, foram presos. Eles foram soltos dias depois.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados devem responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de peculato, crimes licitatórios, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal não divulgou o nome dos suspeitos que foram alvos dos mandados nesta terça-feira. O processo está sob sigilo de Justiça.

Em nota, a Codesa, que agora responde como Porto de Vitória, reiterou que a investigação conduzida pela Polícia Federal está relacionada a períodos anteriores ao processo de desestatização.

"Cumpre esclarecer que supostas ilicitudes praticadas, ora objeto de escrutínio e apuração, ocorreram antes que a companhia fosse transferida à gestão privada, em setembro de 2022. O Porto de Vitória se colocará à disposição das autoridades competentes para colaborar irrestritamente com as investigações em curso", disse em nota.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da senadora Rose de Freitas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Primeira fase da Corsários

Sede da Polícia Federal no Espírito Santo — Foto: Ari Melo/ TV Gazeta

Na primeira fase da operação, deflagrada no dia 12 de maio de 2021, dois mandados de prisão temporária e 10 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências e empresas no Espírito Santo, nos municípios de Vitória, Cariacica e Serra, e também em Brasília.

Na época, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões em diversos endereços. Entre eles, o aparamento funcional da senadora Rose de Freitas (MDB), em Brasília, e a casa dela, em Vitória, onde os agentes apreenderam documentos e computadores.

A polícia prendeu ainda o irmão de Rose de Freitas, Edward Dickson de Freitas, e Ricardo Saiter.

Os dois já trabalharam na Companhia Docas do Espírito Santo, uma estatal que administra o Porto de Vitória, e foram exonerados em 2019.

Um terceiro suspeito foi preso na operação por porte ilegal de armas.

Fonte: G1 ES


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