Crianças eram alvo: Itália apura suposto turismo de guerra em Sarajevo nos anos 1990



 Justiça de Milão apura se cidadãos italianos pagaram até 100 mil euros por participar como franco-atiradores na cidade sitiada entre 1992-96

Mulheres muçulmanas bósnias choram durante um comício no centro de Sarajevo pedindo que se unam aos seus antigos vizinhos no bairro sérvio de Grbavica, em 11 de dezembro de 1995 — Foto: AP/John Gaps III

A Promotoria de Milão, liderada pelo Alessandro Gobbis, abriu investigação para apurar denúncias de que cidadãos italianos teriam participado de uma espécie de “turismo de guerra” na capital bosníaca de Sarajevo, num período de cerco entre 1992 e 1996. 

Segundo a denúncia, apresentada pelo jornalista Ezio Gavazzeni com apoio do ex-magistrado Guido Salvini, homens abonados teriam desembarcado na região das colinas que cercavam Sarajevo, pagando entre 80 e 100 mil euros para participar de operações de franco-atirador contra civis desarmados — sendo que o valor supostamente era maior se o alvo fosse criança.

De acordo com os investigadores, esses “turistas de armas” teriam relação com grupos de extrema-direita no norte da Itália (como Piamonte, Triveneto ou Lombardia) e foram mobilizados entre 1993 e 1995. A denúncia refere ainda que forças sérvias teriam facilitado o acesso dos atiradores estrangeiros às posições militares ao redor da cidade sitiada.

O crime sob investigação é tipificado como homicídio voluntário com agravante de crueldade e motivos abjetos — o que o torna imprescritível — e há diversos testemunhos, entre eles de ex-oficiais de inteligência bósnia, que afirmam terem ouvido sobre o transporte preparado de atiradores não-combatentes até posições estratégicas para disparar contra civis.

As autoridades da Bósnia e Herzegovina declararam que colaborarão com as investigações. Até o momento, não há nomes oficialmente citados como acusados, mas há expectativa de que pelo menos alguns envolvidos sejam identificados.



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