O que vem por aí? Veja as novas funcionalidades previstas para o PIX


Pix parcelado, em garantia, duplicata e offline: conheça as novidades no Pix na mira do BC

Há cinco anos, quando foi lançado, o Pix oferecia ao usuário a possibilidade de realizar transferências instantâneas entre contas, a qualquer hora e em qualquer dia da semana. Com transações sem custo para pessoas físicas e com valor baixo para os demais casos, o sistema logo ganhou popularidade e se tornou o método de pagamento mais frequente no País, superando o dinheiro.

Nesse período, conduzido por uma agenda de evolução capitaneada pelo Banco Central e com a participação ativa do mercado, por meio do Fórum Pix, o sistema ganhou novas funcionalidades; a última delas o Pix Automático, lançado em junho deste ano.

À frente, novas etapas já estão previstas, como o Pix Parcelado, Offline e Duplicata. Para o futuro, especialistas consultados pelo Estadão/Broadcast avaliam que a tendência é que o sistema transborde para além do trilho de pagamentos, com presença no crédito - já prevista pelo Pix em Garantia -, e ultrapasse as fronteiras nacionais, a partir da interoperabilidade com outros arranjos instantâneos.

Lançado em 2020 pelo BC, PIx revoluciou a forma do brasileiro lidar com o dinheiro Foto: Marcio - stock.adobe.com

“Uma série de inovações pode ser gerada nessa infraestrutura. Essa infraestrutura neutra, digamos assim, que o Banco Central criou”, afirma a diretora-executiva da Zetta, Fernanda Garibaldi. “O Pix cada vez mais é visto menos como um arranjo de pagamentos e mais como um ativo estratégico da sociedade brasileira e do Estado brasileiro.”

O potencial do Pix para além do sistema de pagamentos é enfatizado pelo conselheiro da Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos (Abipag), Gabriel Cohen. “O Pix é um arranjo que hoje alcança mais de R$ 1 bilhão em transações do varejo. Imagina se tivermos mecanismos para direcionar isso como colateral de operações de crédito?”, diz.

Cohen argumenta que o sistema tem potencial para ampliar, principalmente, a garantia do pequeno e médio empreendedor. “Ele pode não ter um imóvel para dar em garantia ou um veículo, mas tem as transações Pix que recebe”, diz.

Os primeiros passos nessa direção já foram dados pelo BC. Em abril, a autoridade anunciou que está trabalhando em duas novas funcionalidades para o Pix: Parcelado e em Garantia.


Novas funcionalidades à vista

O Pix Parcelado possibilitará que o usuário, pessoa física ou jurídica, obtenha crédito para parcelar uma transação. O recebedor terá acesso imediato ao valor total, enquanto o pagador poderá quitar o débito em parcelas, de forma similar ao funcionamento de um cartão de crédito.

A regulamentação da função estava prevista para setembro deste ano, mas foi adiada. A nova previsão é que seja publicada até o final de 2025.

Embora ainda não tenha regulamentação definida, a modalidade já teve grande adesão de instituições privadas. Uma pesquisa da Matera divulgada este ano mostrou que 53% dos consumidores haviam usado o Pix Parcelado entre setembro e outubro de 2024.

Já o Pix em Garantia terá como foco as empresas. Ele deverá permitir que elas utilizem recebíveis futuros de Pix como garantia em operações de crédito. Seu lançamento está previsto para o próximo biênio.

O início do seu desenvolvimento estava previsto para começar ainda em 2025, mas foi reajustado devido a uma reorganização interna na área técnica.

“O Pix nasceu dentro de uma agenda de inovação que inclui também outras iniciativas, como o Open Finance, a modernização da legislação cambial e o Drex, e que não parou de avançar”, afirma o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. “Ele foi pensado como uma plataforma em constante evolução, com espaço para novas camadas e funcionalidades.”

Atual vice-presidente e chefe global de políticas públicas do Nubank, Campos Neto disse ver o Pix Parcelado e em Garantia como passos naturais dessa evolução.

Quanto às mudanças na agenda, afirma que não são motivos de preocupação, mas sim de prudência. “O Banco Central tem agora a prioridade de reforçar a segurança do sistema.”

Há ainda outras funcionalidades do sistema na mira do Banco Central, ainda sem data de implementação definida.

O Pix Duplicata vai possibilitar que as empresas paguem suas duplicatas eletrônicas por meio do sistema instantâneo. Já o Pix Offline pretende permitir a realização de pagamentos mesmo sem o acesso à internet, desde regiões isoladas a locais sem sinal.


Fonte: Estadão 



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