O fabricante Baly Energy Drink informou que o produto não contém o medicamento Tadalafila (popularmente chamado de tadala) na composição.

Energético Baly Tadala - Foto: Divulgação/Baly Energy Drink
O Baly Tadala é um dos novos assuntos do momento. O energético com nome de medicamento indicado para o tratamento da disfunção erétil viralizou e tem dividido opiniões na internet, no meio farmacêutico e na sociedade. O fabricante Baly Energy Drink informou que o produto não contém o medicamento Tadalafila (popularmente chamado de tadala) na composição e que há apenas uma associação no nome à energia e vigor que a bebida pode proporcionar ao consumidor.
Conselho Federal de Farmácia
O Conselho Federal de Farmácia (CFF), no entanto, emitiu nota na qual argumentou que “ao associar um medicamento a uma bebida recreativa e a um contexto festivo, a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação.”
“A ideia de um produto com ‘sabor’ que remete ao medicamento reforça no imaginário coletivo a noção equivocada de que seu uso é simples, seguro e livre de consequências. Esse tipo de mensagem é particularmente preocupante em ambientes como o Carnaval, marcados por consumo excessivo de álcool, longas jornadas de exposição ao calor e menor atenção aos sinais do próprio corpo”, declarou o Conselho Federal de Farmácia (CFF), como verificou o ClickPB.
Baly Tadala
A Baly Energy Drink lançou, no último mês de janeiro, a edição limitada do energético com nome sugestivo com direito a promoção para participação no Carnaval de Salvador.
“O azulzinho mais saboroso do Brasil CHEGOUUU e te leva pra cima no carnaval de SALVADOR! Comente o que te leva PRA CIMA nesse Carnaval! O comentário mais curtido vence!”, declarou a marca, prometendo passagens para Salvador e entradas para camarotes.
O lançamento divertiu diversas pessoas, embora haja algumas críticas e questionamentos, como o que foi feito pelo Conselho Federal de Farmácia.
Confira a nota do Conselho Federal de Farmácia, na íntegra:
O anúncio do lançamento do energético “Tadala”, edição limitada da marca Baly Energy Drink para o Carnaval de Salvador, provocou ampla repercussão nas redes sociais ao fazer alusão direta à tadalafila, medicamento indicado para o tratamento da disfunção erétil. Embora apresentado como uma ação criativa e bem-humorada, o uso de trocadilhos e referências explícitas a um fármaco de prescrição levanta preocupações relevantes do ponto de vista sanitário e da saúde pública.A tadalafila não é uma substância isenta de riscos. Trata-se de um medicamento que atua no sistema cardiovascular e cuja utilização exige avaliação clínica prévia. O uso sem indicação e sem acompanhamento profissional pode provocar efeitos adversos como queda da pressão arterial, cefaleia intensa, alterações visuais, taquicardia, priapismo e, em situações específicas, eventos cardiovasculares graves. Esses riscos se ampliam quando há consumo concomitante de álcool ou interação com outros medicamentos, especialmente nitratos, comumente utilizados por pessoas com doenças cardíacas.Ao associar um medicamento a uma bebida recreativa e a um contexto festivo, a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação. A ideia de um produto com “sabor” que remete ao medicamento reforça no imaginário coletivo a noção equivocada de que seu uso é simples, seguro e livre de consequências. Esse tipo de mensagem é particularmente preocupante em ambientes como o Carnaval, marcados por consumo excessivo de álcool, longas jornadas de exposição ao calor e menor atenção aos sinais do próprio corpo.A automedicação é um problema histórico no Brasil e está associada a atrasos no diagnóstico de doenças, agravamento de quadros clínicos, reações adversas evitáveis e aumento de internações por intoxicação medicamentosa. Nenhum medicamento deve ser utilizado com base em modismos, piadas ou promessas implícitas de desempenho. O uso racional de medicamentos pressupõe indicação correta, dose adequada, tempo de tratamento definido e acompanhamento contínuo.Nesse contexto, o papel do farmacêutico é fundamental. Cabe a esse profissional orientar a população, esclarecer riscos, identificar interações medicamentosas e atuar como agente de educação em saúde. O farmacêutico é uma das principais barreiras contra o uso inadequado de medicamentos e sua atuação é decisiva para a promoção do cuidado seguro e responsável.Campanhas publicitárias que flertam com a medicalização do consumo recreativo exigem reflexão, responsabilidade e atenção das autoridades sanitárias e da sociedade. Medicamento não é produto de entretenimento, não é acessório de festa e não deve ser tratado como brincadeira. Medicamento não é brincadeira, nem mesmo no Carnaval.
Com informações do Conselho Federal de Farmácia

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