Xenofobia em escola de Portugal gera violência, e brasileiro é agredido por dez estudantes

Cláudia Meneses mostra ferimentos na cabeça do filho de 15 anos — Foto: Cláudia Meneses/Divulgação

Uma disputa entre brasileiros e portugueses dentro de uma escola pública nos arredores de Viseu, no centro de Portugal, terminou com um aluno do Brasil agredido por dez adversários.

A xenofobia está na origem da rixa. Os portugueses vinham questionando a presença dos brasileiros no país, de acordo com Cláudia Meneses, mãe do estudante X, de 15 anos.

O grupo de estudantes brasileiros foi ameaçado pelos portugueses e houve discussão há cerca de 15 dias. Sofreram xenofobia ao questionarem os portugueses, disse Cláudia:

— Os brasileiros falaram como iriam resolver, se ficariam em guerra o tempo todo. Os portugueses disseram “não queremos resolver. Vocês têm que voltar para o Brasil, para a terra de vocês”.

Um dos meninos se afastou dos brasileiros para buscar a irmã no final do dia. Foi abordado na rua perto do colégio, onde os portugueses, segundo Cláudia, ameaçaram com uma faca.

— (Alguém) mostrou a faca e disse que iriam rasgar as barrigas deles — declarou Cláudia.

Uma reunião entre pais e representantes da escola aconteceu após os episódios. Foi dito aos pais que providências seriam tomadas para garantir a segurança dos filhos e evitar ameaças.

Na última sexta-feira, o filho de Cláudia se envolveu em uma discussão com um dos portugueses, de 18 anos, que estaria incomodado pelo fato de X fazer um comentário sobre a sua namorada.

— Fofoca, sabe? Ele foi tomar satisfação e meu filho explicou. A menina começou a inflamar (...) e ele deu um tapa no rosto do meu filho, que revidou. Brigaram e pronto — disse ela.

A briga não terminou naquele momento, contou Cláudia:

— Dentro da escola, o menino que deu tapa nele veio com mais portugueses. Dez meninos em cima com murros e pontapés. Caiu no chão e levou chutes na cabeça, mas conseguiu entrar numa sala e ficar lá.

Cláudia reforçou que as agressões foram desencadeadas pela xenofobia. X não foi à escola ontem nem irá hoje.

— Não é de agora e nem é ciúme. Foi porque não gostam dos brasileiros, não querem eles aqui. Queriam um motivo para agredir meu filho. Ele não vai à escola, tenho medo — declarou.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) foi chamada, assim como o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Os envolvidos foram ouvidos e X fez exames em um hospital.

— Quem estava trancado em uma sala era meu filho, que nem bicho. A GNR tomou depoimento do agressor e meu filho só confirmou, não anotaram nada — disse ela, continuando:

— Levei meu filho, com hematomas na cabeça, no braço direito e o nariz sangrando, para o hospital. Já havia um chamado aberto, mas para o agressor. Foi aí que vi o descaso com o imigrante. Tudo que eu falava era descredibilizado, falando que se ele estava assim, o outro estava pior.

Pulso direito do filho de Cláudia inchado e ferido — Foto: Cláudia Meneses/Divulgação

Claudia tentou pegar ontem no hospital o laudo do exame, mas saiu de lá apenas com o recibo do pedido, porque o resultado, segundo informaram “vai demorar dez dias”

— Eles fizeram raio X e disseram que o braço não estava quebrado, para fazer compressas e tomar remédio para dor — disse a mãe.

A brasileira enviou e-mail à diretoria da escola pedindo a abertura de processo interno e medidas de proteção e demais providências detalhadas por escrito.

Ela também procurou o Comitê dos Imigrantes de Portugal (CIP). A fundadora, Juliet Cristino, orientou que a advogada Elaine Linhares trabalhe no caso.

— Devemos buscar a polícia ou Ministério Público (...) farei constar o relato completo (incluindo xenofobia) de toda a situação — disse Linhares — questionou Cláudia.

O CIP tem reivindicado mais policiamento nas escolas de Portugal. Juliet foi ao Parlamento defender sua proposta, apresentada em conjunto com Linhares, e aguarda nova audiência.

— Temos que ter voz para que não aconteça mais. Recebi relatos de pais sobre ameaças que os filhos recebem. O que mais vamos esperar? — questionou Cláudia, informando que a GNR foi à escola ontem.

Nas redes sociais, segundo Cláudia, existe um movimento dizendo que são os brasileiros os culpados:

— Pior é ter que ler que são os brasileiros que causam “auê”, mas isso não é verdade.

Procurada, a direção da escola não respondeu, mas o espaço segue disponível para esclarecimentos.

Fonte: O Globo


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