VÍDEOS | Mãe encontra forma criativa de fazer filho autista aceitar alimentos


Receitas improváveis de Giselle Calixto viralizaram após ela mostrar sua estratégia criativa para ampliar a alimentação de Oliver, de 5 anos, que tem seletividade alimentar

Giselle dos Reis Calixto, de 25 anos, moradora do Paraná, encontrou uma forma totalmente inusitada — e eficaz — para ampliar a aceitação de alimentos do filho Oliver, de 5 anos, que tem autismo nível 3 de suporte e seletividade alimentar.

Em vídeos que já somam milhões de visualizações nas redes sociais, ela ensina receitas como brigadeiro, cookie de feijão e até bolo “de chocolate” feito com peito de frango. A solução é simples: incorporar alimentos nutritivos em preparações que o filho aceita, sem que ele perceba que eles estão lá.

Giselle Calixto criou maneira inusitada de introduzir legumes e outros ingredientes na alimentação do filho autista — Foto: Reprodução/Instagram

Nas publicações, a mãe costuma escrever a frase que virou marca do seu conteúdo: “Meu filho autista não come legumes. Não até onde sabe”. Na prática, Giselle “esconde” legumes, frutas, proteínas e até feijão em receitas com textura, aparência e sabor agradáveis para o filho – sempre testadas por ela antes de serem oferecidas.

A estratégia surgiu da necessidade. Durante a introdução alimentar, Oliver não aceitava alimentos sólidos e comia exclusivamente mingau, o que prejudicou o desenvolvimento de sua mastigação. “Nenhum profissional onde eu morava, no Pará, sabia nos orientar”, relembrou.

“As ideias só brotam. Eu já precisei bater comida com leite e banana, então, hoje, olho para um alimento e penso em diferentes formas de oferecer a ele.”


Da alimentação restrita ao início das mudanças

Até os 3 anos e meio, Oliver tinha uma alimentação extremamente limitada, baseada apenas em mingau. O cenário levou a um momento de desespero para a família, especialmente após uma reunião com terapeutas, no fim de 2023, em que Giselle foi informada que o filho não estava se desenvolvendo.

“Os terapeutas relataram que não sabiam mais o que fazer. Ele era o único paciente que não se desenvolvia, e eu fiquei totalmente desorientada”, lembrou.

Diante da falta de respostas, Giselle e o marido, Rafael, de 31 anos, decidiram deixar o Pará e se mudar para o Paraná para garantir um melhor tratamento e qualidade de vida para Oliver – movimento que envolveu não só o casal, mas também pais e irmãos, que se reorganizaram para acompanhá-los.

“A mudança começou no desejo de proporcionar uma melhor qualidade de vida para Oliver e toda a nossa família. Mas esse desejo começou com ele. Ele foi a faísca, a motivação de todo mundo, principalmente da minha mãe.”


E foi assim que Giselle encontrou as respostas que procurava. Lá, ela conheceu uma nutricionista especializada em intervenção nutricional para autismo e TDAH, que ajudou a identificar a alergia ao leite de vaca, até então desconhecida, que possivelmente causava inflamação no esôfago e dificultava a aceitação de alimentos sólidos.

Segundo Karine Lenda, nutricionista, o menino chegou na consulta com sinais claros de baixa nutrição. “Ele estava abaixo do peso, com pouco foco e concentração. A alimentação era muito restrita, basicamente líquida e baseada em leite”, explicou à CRESCER.

A partir daí, o plano era fazer a substituição do leite de vaca por leites vegetais, a introdução gradual de alimentos, a suplementação de nutrientes essenciais e a redução de alimentos potencialmente alergênicos.

Paralelamente, o acompanhamento com fonoaudióloga especializada em motricidade orofacial foi fundamental para desenvolver a mastigação, já que a rigidez da faringe impedia o processo natural.


Criatividade na cozinha e adaptação da rotina

Junto ao apoio profissional, Giselle passou a testar algumas alternativas com o filho, em casa, introduzindo frutas no mingau em pequenos pedaços, depois legumes e, posteriormente, proteínas.

Com o tempo, as receitas foram se tornando mais elaboradas e criativas. “Não que ele não coma cozido, mas é uma forma de experimentar de outro jeito, além de se tornar uma ideia para quem precisa”, disse.

Apesar das combinações inusitadas, ela faz questão de experimentar tudo antes de oferecer ao filho. “Tudo que ele come, eu provo. Tem coisas que não agradam meu paladar, mas deixo ele experimentar e ele acaba gostando.”


Fonte: Revista Crescer




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