“Ele nos ensina a viver o impossível todos os dias”, diz mãe de menino que nasceu sem braços e pernas


Com uma rotina intensa de terapias, José, 2 anos, de Curitiba (PR), conquista novas habilidades e ganha autonomia a cada dia. A história do menino também levou a mãe, Débora Bonini, a compartilhar sua experiência nas redes sociais e a acolher famílias após um diagnóstico

“Ele nos ensina a viver o impossível todos os dias”, diz mãe de menino que nasceu sem braços e pernas — Foto: Arquivo pessoal

Quando a história de José Bonini Becher foi contada pela CRESCER, ele ainda era um bebê de poucos meses. Nascido com focomelia, condição que fez com que não desenvolvesse os braços e as pernas, ele conquistou os leitores e a web com seu sorriso. Aos 2 anos, o menino está descobrindo novas formas de se comunicar e interagir com o mundo: começou a falar as primeiras palavras, adora imitar o que vê e gosta de estar perto de outras crianças.

“Ele está em uma fase muito gostosa. A lembrança mais marcante para mim foi quando segurou a mamadeira sozinho pela primeira vez. Naquele momento, entendi que ele daria conta de tudo”, relembra a mãe, Débora Bonini, 27 anos, criadora de conteúdo.


Rotina de terapias, brincadeiras e novas conquistas

A rotina de José é bastante movimentada e inclui diferentes atividades voltadas ao seu desenvolvimento. Ele frequenta uma ONG, onde faz fisioterapia e participa de atividades pedagógicas. Também faz psicomotricidade aquática para estimular habilidades motoras, equitação, fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional.

“As terapias são o principal apoio para que ele se desenvolva. A rotina é bastante corrida. São muitos aprendizados no dia a dia, e ele já sabe o que quer e consegue se expressar bastante”, explica a mãe, que mora em Curitiba (PR).

Recentemente, José deu os primeiros passos com a ajuda de um dispositivo criado pelo pai, Nicolas Becher, para que pudesse se apoiar e se movimentar.

“Eu só vejo a força dele. Foi difícil, ele chorou e se frustrou, mas tentou até conseguir. Também está se adaptando às próteses nos braços. Cada degrau e cada passinho que ele dá é celebrado com entusiasmo”, conta.


'Eu me descobri'

A chegada de José também transformou Débora. Antes acostumada a pensar muito no futuro, ela diz que passou a enxergar a vida de outra maneira. “Eu vivia pensando no que eu faria. Hoje, vivo com um propósito. Sei que tenho um motivo para estar aqui, que Deus me deu o José para eu cuidar dele.”

Nesse processo, ela também descobriu uma nova versão de si mesma. Para acompanhar o filho, deixou o emprego quando José nasceu. Como ele faz terapias praticamente todos os dias, os cuidados ocupam boa parte do seu tempo.

“Eu me descobri. Hoje trabalho com redes sociais, gosto de compartilhar a nossa história e encontrei ali uma nova possibilidade de trabalho para ajudar a minha família”, complementa.

Com a mãe — Foto: Arquivo pessoal

Um novo olhar sobre as diferenças

Com o tempo, Débora também passou a receber mensagens de mães que se identificavam com a história de José. Algumas entraram em contato logo após receber o diagnóstico de uma condição de saúde e encontraram no perfil da família uma referência para aquele momento.

Ela acredita que compartilhar a rotina do filho também pode contribuir para a inclusão. “É preciso ensinar as pessoas a lidarem com a situação. Já ouvi palavras que me magoaram, mas acredito que seja mais por falta de conhecimento do que por preconceito.”

Com o pai — Foto: Arquivo pessoal

Dentro de casa, a deficiência nunca foi vista como algo que definisse José. Para Débora, a chegada do filho também mudou a forma como a família encara a vida. “José não apenas mudou a nossa rotina, mas ampliou o nosso olhar. Ele nos tirou da nossa bolha e nos ensinou sobre força, amor verdadeiro e a capacidade de viver o impossível todos os dias”, conclui.

Com informações da Revista Crescer




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