Em entrevista a Marie Claire, atriz e cantora conta como está sua rotina morando no interior de Minas Gerais ao lado do marido, Leandro D'Lucca. Cantora também fala do retorno às novelas e de seu novo projeto no cinema, em fase que coroa sua busca por criatividade
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A nova fase de Cleo — Foto: Fhilipe Ribeiro
“Pela primeira vez tenho a sensação de ter o sistema nervoso regulado”, conta a atriz e cantora Cleo. Aos 43 anos, ela enfrentou uma revolução em seu estilo de vida. Desde que se casou com o empresário Leandro D’Lucca, desacelerou. Trocou a cidade grande por um sítio no sul de Minas Gerais. A propriedade é simples, mas atende plenamente às necessidades do casal. “Entendi que eu preciso desses hiatos e do ócio para me manter conectada com as coisas que importam”, acrescentou ela em conversa com Marie Claire.
Cleo diz que a nova rotina tem permitido que ela possa cuidar do corpo sem pressão e se alimentar melhor. Agora, tem tempo para criar. O contato com a natureza também tem proporcionado um alívio para alguém que estava acostumada com a badalação. “Hoje, por exemplo, nossa vaca pariu, então a gente está com leite fresco aqui. Morando aqui, eu acordo cedinho, olho minhas plantas, faço alguma coisa para comer. Tem dia que a gente vai na casa de algum amigo, vai à feira, cuida dos bichos. Também fico sem fazer nada, olhando para essa paisagem maravilhosa”, conta.
Engana-se quem pensa que essa experiência é nova. Cleo conta que cresceu no Recreio dos Bandeirantes nos anos 80, quando o bairro na Zona Oeste do Rio de Janeiro ainda era cercado por natureza. Ela também costumava viajar e passar longos períodos com os pés na terra, subindo em árvores e em contato com os animais.
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A nova fase de Cleo — Foto: Fhilipe Ribeiro
“Minha mãe casou com o meu pai [Orlando Morais] quando eu tinha cinco anos e ele já tinha uma fazenda no Centro-Oeste, então cresci nesse universo. Sempre amei isso. Morar aqui foi me trazendo memórias muito atávicas da minha essência, da minha vida, meus desejos e valores.”
Essa nova rotina só foi possível porque a atriz sempre foi regrada com as finanças. Cleo conta que se inspirou na mãe, Gloria Pires, e hoje tem várias fontes de renda. Por isso, pode se dar ao luxo de escolher o que fazer. “Minha mãe me ensinou a não colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Ela é uma mulher de negócios, uma atriz equilibrando vários pratinhos.”
Uma dessas fontes de renda está na publicidade, que percebe em Cleo a autenticidade necessária para quem busca parcerias com resultados. A artista também gosta de estar no comando. Nos últimos anos, também passou a produzir conteúdo independente, seja no audiovisual, seja na música, suas duas paixões. Ela conta que estava interessada em controlar a própria narrativa.
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Cleo revela detalhes de sítio que se tornou seu refúgio — Foto: Reprodução/Instagram
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Cleo revela detalhes de sítio que se tornou seu refúgio — Foto: Reprodução/Instagram
“Minha profissão depende de um convite, do interesse de outras pessoas. Se você se torna produtora, pode fazer acontecer. Essa coisa de ficar mais atraente ao olhar do outro é cansativo”, avalia. Por isso, decidiu que era a hora de ir atrás dos recursos para consolidar aquilo que tem vontade de fazer. “Eu tento focar no meu desejo e não no medo. Se quero construir algo, foco nos caminhos para aquilo acontecer da melhor forma.”
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A nova fase de Cleo — Foto: Fhilipe Ribeiro
A vida de casal também contribui para a tranquilidade com que Cleo está vivendo. Isso porque a relação com Leandro D’Lucca é leve, íntima. Casada há cinco anos, diz que escolheu o empresário porque os dois têm valores parecidos. “Eu não poderia ter qualquer homem porque a maioria dos homens estão corrompidos pelo sistema patriarcal capitalista, então, fica complicado [risos]”, diz. Segundo ela, o segredo da relação é disposição, paixão e uma boa dose de sintonia. “Ele ele agrega muito, em valores importantes. É uma pessoa que eu quero ter na minha vida”, completa.
“Estava com saudade”
Essa busca pelo controle não impediu Cleo de se desafiar. Ela acaba de viver uma aproximação com as novelas, gênero com o qual não trabalhava desde 2019. Em ‘Coração Acelerado’, a atriz deu vida à Alana Matos, uma poderosa empresária que dialoga com muito do que a artista acredita. Ela também pode reencontrar amigos como Elisa Lucinda e Letícia Spiller e diz que adorou voltar aos Estúdios Globo. “Eu estava com saudade e achei que o personagem tinha muito a ver. Ela tinha uma relação com a música, o que me atraiu também. Embora fosse uma participação, ela tinha camadas. Isso me interessa”, conta. Para ela, a experiência, que durou cerca de um mês, foi marcada pela tranquilidade. “Eu me dou bem com a dinâmica da novela, gosto de trabalhar”. Por isso, decidiu que está disposta inclusive a aceitar convites para retornar de vez às novelas. Para isso, é preciso que os convites agreguem. “Se eu gosto do personagem, me desafia, me dá prazer, eu topo”, declara ela.
Hoje, Cleo está mais segura do que quer. A experiência que começou na dramaturgia, passou pela música e chegou à direção, fez com que a artista se sentisse hoje muito mais completa. “Quem vê de fora, vê só o resultado, não o processo, os corres, os fracassos”, diz. Em outubro, ela também vê chegar ao ar Se Eu Fosse Você 3, em que atua ao lado da mãe, Glória Pires. “Nem parecia trabalho. Foi agradável, leve, uma experiência muito gostosa. Tive também a experiência de ser dirigida pela Anita [a diretora Anita Barbosa], que é muito completa, eficiente, talentosa”, completa.
Aos 43 anos, Cleo conta que está mais feliz porque se ama mais. O processo foi longo, gestado a partir de muito amor próprio. A imagem de sex symbol, que foi construída à revelia, é fruto da imaginação do público. “Quando era mais nova, não gostava de mim. Me achava feia, chata, burra, desinteressante, baixinha. A maturidade me trouxe amor por mim. Me sinto realmente muito mais gata”, diz. “Quero ser cada vez mais coerente com os meus pensamentos, sentimentos e atitudes. Quero cada vez mais colher frutos das coisas que eu estou construindo na minha vida, resiliência para continuar. É isso que eu busco”
Com informações da Revista Marieclare

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