Mulheres são presas suspeitas de usar falsas vagas de emprego para aplicar golpe


Duas mulheres foram presas em Goiânia suspeitas de participar do esquema; candidatos entregavam documentos e faziam reconhecimento facial durante supostas entrevistas.

— Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Duas mulheres foram presas em Goiânia (GO) suspeitas de envolvimento em um esquema que utilizava falsas oportunidades de emprego para obter dados pessoais de pessoas desempregadas e, posteriormente, realizar financiamentos de veículos em nome das vítimas.

Segundo a investigação da Polícia Civil, os candidatos eram atraídos por anúncios de vagas com salários e benefícios atrativos. Uma das oportunidades oferecia trabalho como motorista executivo, com remuneração de R$ 5.025, além de plano de saúde, plano odontológico e vale-alimentação.

Durante o suposto processo seletivo, os interessados forneciam informações pessoais, documentos e realizavam reconhecimento facial. A suspeita é de que esses dados fossem utilizados posteriormente para contratar financiamentos sem autorização.
Vítima descobriu golpe após receber mensagem do banco

Um dos casos investigados envolve um homem que procurava emprego e participou de uma entrevista acreditando estar concorrendo a uma vaga.

Pouco tempo depois, ele recebeu uma mensagem do banco informando que um financiamento havia sido concluído em seu nome. Uma Toyota Hilux avaliada em R$ 150 mil teria sido negociada utilizando os dados da vítima.

Do total, R$ 125 mil foram pagos como entrada e R$ 25 mil ficaram financiados. Ao perceber a fraude, o homem retornou ao endereço onde havia participado da entrevista, mas não encontrou mais as pessoas que o atenderam.

Outro candidato também teria participado de uma entrevista e, cerca de 30 minutos depois, recebido um alerta sobre uma tentativa de financiamento em seu nome. Nesse caso, a instituição financeira conseguiu bloquear a operação.


Investigação começou após informações do Espírito Santo

De acordo com documentos da investigação, a apuração em Goiás começou depois que a Polícia Civil recebeu informações de agentes do Espírito Santo sobre um possível esquema com atuação em diferentes estados.

O inquérito também cita uma vítima da Serra (ES) que encontrou uma suposta vaga de emprego pelo Instagram. Após comparecer a um escritório, fornecer dados pessoais e realizar reconhecimento facial, ela começou a receber notificações bancárias relacionadas a um financiamento de veículo feito em seu nome.

Foto: Divulgação/Polícia Civil

Suspeitas negam participação consciente no esquema

Em depoimento, as duas investigadas afirmaram que acreditavam estar trabalhando em processos seletivos legítimos.

Ângela Vitória da Silva declarou que sua função era apresentar as vagas e acompanhar o preenchimento dos questionários. Ela negou saber que as imagens dos candidatos poderiam ser utilizadas em fraudes.

Allanis Mel dos Santos Schon da Luz afirmou que recebeu uma proposta de trabalho de uma pessoa que teria se identificado como Carlos Rafael. Segundo ela, essa pessoa teria providenciado celular, passagens e hospedagem para que ela realizasse as entrevistas.

Ela confirmou que fotografias dos candidatos eram encaminhadas para outra pessoa, mas afirmou desconhecer qualquer finalidade criminosa.

A polícia apreendeu celulares, questionários e bolsas durante as diligências.


Prisão temporária foi decretada

As duas mulheres chegaram a ser presas em flagrante por suspeita de fraude relacionada à obtenção de financiamento. Posteriormente, a Justiça decretou a prisão temporária por cinco dias.

A defesa afirma que as investigadas não foram condenadas e que o simples contato com documentos, pessoas ou locais relacionados à investigação não comprova que elas soubessem ou participassem das fraudes. O advogado também informou que ambas prestaram esclarecimentos e permanecem à disposição das autoridades.

A investigação continua para identificar outros possíveis integrantes do esquema e esclarecer como os dados obtidos durante as falsas entrevistas eram utilizados nos financiamentos.

Com informações do G1





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