Mutação no gene TP53 doada por banco de esperma gera risco de câncer para quase 200 crianças; alguns dos menores já têm tumores ou morreram.
Uma célula de câncer, fotografada por um microscópio eletrônico de varredura, que produz imagens tridimensionais. — Foto: NIH/Domínio Público
Uma investigação transnacional revelou que um doador de esperma portador de uma mutação genética associada a risco elevado de câncer concebeu pelo menos 197 crianças em diversos países da Europa.
O problema está em uma alteração no gene TP53 — fundamental no controle do crescimento celular — que, quando defeituoso, causa a síndrome Li‑Fraumeni syndrome, caracterizada por uma probabilidade de até 90% de desenvolver câncer ao longo da vida.
Embora o doador estivesse saudável e tivesse sido aprovado nas triagens convencionais vigentes à época das doações, exames posteriores indicaram que cerca de 20% de seus espermatozoides carregavam a mutação. Isso significa que os filhos concebidos a partir daqueles gametas herdaram o gene alterado em todas as suas células.
Até o momento, médicos confirmaram casos de câncer em várias crianças oriundas desse doador — algumas com mais de um tipo da doença — e há registros de óbitos.
A doação foi feita via a European Sperm Bank (ESB), que distribuiu os gametas a 67 clínicas em 14 países. Após a constatação da mutação, o doador foi banido do programa e as famílias afetadas foram notificadas.
Especialistas e autoridades pedem agora revisão nos protocolos de triagem genética e maior regulação internacional para doações de sêmen — especialmente por conta da dificuldade de detectar variantes genéticas raras que não são cobertas por testes padrão.


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