Pai militar aciona PM armada contra escola por desenhos de orixá feitos pela filha

 Denúncia do pai levou doze policiais à creche municipal; ele é soldado da PM e a escola afirma seguir currículo antirracista


Um episódio na Emei Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo, está sob investigação após um pai chamar a Polícia Militar para intervir na escola por causa de desenhos de matriz africana feitos por sua filha. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o homem é um policial militar da ativa, e não apenas frequentador externo. 

De acordo com relatos, doze PMs armados foram até a creche, e uma servidora afirma ter sido encurralada contra a parede, com a arma de um dos agentes tocando seu corpo. A presença dos policiais durou cerca de uma hora, segundo testemunhas. 

O pai justificou a medida dizendo que a filha estaria sendo “obrigada a participar de aula de religião africana” por conta de um desenho com o nome “Iansã”, orixá ligado a ventos e tempestades. No dia anterior, ele já havia demonstrado incômodo, retirando o desenho da filha do mural da escola. 

Representantes da escola explicaram que os trabalhos fazem parte de uma proposta pedagógica inclusiva, baseada no Currículo da Cidade, que prevê o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena. 

A Secretaria de Segurança Pública informou que instaurou um procedimento para apurar a atuação dos policiais, inclusive analisando imagens das câmeras corporais. Também foi registrado um boletim de ocorrência por ameaça contra o pai, e ele, por sua vez, registrou outro, negando ter danificado o painel da escola ao remover o desenho da filha.

A situação gerou grande repercussão: famílias da escola manifestaram indignação e organizaram abaixo-assinado em apoio à equipe pedagógica, pedindo investigação sobre possível abuso de autoridade.



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