Estudo publicado na revista Nature levanta novas questões sobre como a visão evoluiu ao longo de centenas de milhões de anos

Peixe de quatro olhos de milhões de anos levanta nova teoria sobre ancestrais dos vertebrados • Revista Nature
Um peixe que viveu há cerca de 518 milhões de anos pode mudar o que a ciência sabe sobre a origem da visão nos vertebrados. Fósseis analisados por pesquisadores indicam que esse animal — do grupo Myllokunmingia — possuía quatro olhos funcionais, e não apenas dois, como se acreditava até agora.
O estudo, publicado na revista Nature no dia 21 de janeiro, analisou restos bem preservados encontrados na China e identificou dois olhos laterais, semelhantes aos dos peixes atuais, e outros dois órgãos visuais posicionados no topo da cabeça.
Essas estruturas eram ligadas ao chamado complexo pineal, região que hoje, em muitos vertebrados, está associada apenas à percepção de luz e regulação do ritmo biológico.
A surpresa veio quando os cientistas encontraram evidências de que esses órgãos extras também formavam imagens. Nos fósseis, foram identificados pigmentos, estruturas comparáveis à retina e possíveis lentes, sugerindo que o animal tinha uma visão mais sofisticada do que qualquer outro vertebrado conhecido desse período.
Segundo os pesquisadores, essa característica pode ter sido uma vantagem evolutiva importante em ambientes marinhos primitivos, permitindo detectar predadores e presas em diferentes direções e níveis de luminosidade.
Com o passar do tempo, esses olhos adicionais teriam perdido a função de formar imagens, dando origem às estruturas sensíveis à luz presentes nos vertebrados modernos.
Há a hipótese de que os primeiros vertebrados possuíam sistemas sensoriais mais complexos do que se imaginava.
O estudo levanta novas questões sobre como a visão evoluiu ao longo de centenas de milhões de anos.
Fonte: CNN Brasil

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