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| Juan Carlos Escotet: o único bilionário da Venezuela, segundo a Forbes — Foto: Ángel Álvarez Rodríguez/Presidencia República Dominicana/Flickr |
A Venezuela tem a maior reserva comprovada de petróleo no mundo, mas nosso vizinho atacado pelos Estados Unidos no sábado (3) tem apenas um bilionário na lista da Forbes: o banqueiro Juan Carlos Escotet, fundador do banco transnacional Banesco.
O banco tem sede em Caracas. A capital venezuelana foi o primeiro alvo dos bombardeios autorizados pelo presidente americano Donald Trump. O ditador Nicolás Maduro, e a primeira-dama, também foram capturados na mesma cidade e levados a Nova York, onde serão julgados por suposto envolvimento com o tráfico de drogas.
Escotet é dono de um patrimônio líquido de 7.4 bilhões de dólares, equivalente a cerca de R$ 40 bilhões. Apesar de todas as atribulações no país, os negócios parecem ir bem. Em 2024, a Forbes o havia listado como dono de um patrimônio equivalente a R$ 20 bilhões.
Nascido em uma família espanhola que migrou de Madrid para a Venezuela, Escotet começou a trabalhar no Banco Union como office-boy com apenas 17 anos. Formado em economia, fundou em 1986 uma corretora, que em 2001 fundiu com o próprio Banco Union onde começou a carreira.
Em 2012, fez duas aquisições bilionárias: comprou o tradicional Banco Echevarría da Espanha e o rival venezuelano, Abanca, no mesmo ano. E não parou por aí. Em 2024, adquiriu as operações na Espanha da francesa Crédit Mutuel e formou um grupo bancário transnacional, que apesar das raízes venezuelanas ‘espalhou’ dinheiro pelo mundo.
Tensão com regime venezuelano
Apesar de ter surfado no enriquecimento acelerado da Venezuela após a descoberta de petróleo entre as décadas 80, 90 e início dos anos 2000, o banco de Escotet também teve seu entreveros com o regime venezuelano atual, iniciado por Hugo Chávez (1954 - 2013).
Em 2013, o caldo engrossou com a chegada de Maduro, então ministro das relações exteriores da Venezuela, ao poder. O regime prendeu onze funcionários do banco em 2018, incluindo o presidente-executivo do Banesco na Venezuela. Todos sob acusação de desvalorizar a moeda venezuelana - o bolívar - e criar uma “máfia cambial”.
Os funcionários de Escotet foram libertados duas semanas após a detenção. As negociações foram feitas junto às autoridades espanholas no país, como o ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. O banco só se livrou da intervenção estatal em 2019, medida tomada pelas autoridades venezuelanas para manter a “estabilidade financeira" da Venezuela.
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| Sede do Banesco em Caracas, capital da Venezuela — Foto: WikiCommons |
Apesar da turbulência e do empobrecimento da população nas últimas décadas, o banco continua líder na Venezuela. Trump já anunciou que vai continuar a administrar o país, controlando especialmente as reservas petrolíferas. O destino do sistema bancário venezuelano segue em aberto. Por ora, ao menos os negócios do Banesco parecem inabaláveis.
Em dezembro de 2025, a subsidiária do Banesco nos Estados anunciou a conclusão da aquisição da carteira de investimentos da Small Business Administration (SBA) da BayFirst Financial Corp., com saldo aproximado de 95 milhões de dólares. Parte da estratégia do banco de Escotet para expandir na Flórida e Porto Rico.
Embora discreto, a vida pessoal de Escotet também foi marcada por uma tragédia. Juan Carlos Escotet Alviarez Filho, filho do bilionário, morreu em março de 2022 em uma competição de pesca a cerca de 10 quilômetros de um clube privado em Key Largo, na Flórida, Estados Unidos.
De acordo com o Miami Herald, o jovem, de 31 anos, tentou socorrer a noiva que havia caído no mar, mas ao tentar salvá-la foi atingido pela hélice da embarcação e morreu.
Pai de quatro filhos, Escotet não deve ter assistido aos bombardeios em Caracas. Há muitos anos, vive em Corunha, na Espanha, onde segundo a Forbes é praticante de corrida.
Fonte: GQ

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