Pesquisa mostra que sincronização entre regiões frontal e parietal do cérebro, por meio de estimulação não invasiva, aumentou decisões altruístas mesmo quando implicavam custo pessoal
Cérebro humano — Foto: UnsplashUma técnica de estimulação cerebral capaz de sincronizar suavemente duas áreas do cérebro pode tornar as pessoas mais generosas — mesmo quando isso implica custo pessoal. A conclusão é de um estudo publicado em 10 de fevereiro na revista científica PLOS Biology.
A pesquisa foi liderada por Jie Hu, da Universidade Normal do Leste da China, em colaboração com cientistas da Universidade de Zurique, na Suiça. Ao alinhar a atividade entre regiões cerebrais específicas, a equipe constatou que foi possível aumentar ligeiramente o comportamento altruísta dos participantes.
Pais costumam ensinar os filhos a compartilhar, demonstrar gentileza e considerar as necessidades dos outros — características que ajudam comunidades a funcionar de forma harmoniosa.
Ainda assim, adultos variam amplamente no grau de altruísmo: enquanto alguns colocam os demais em primeiro lugar de forma consistente, outros tendem a priorizar ganhos pessoais. Há décadas, cientistas buscam compreender o que explica essas diferenças individuais.
Segundo o coautor Christian Ruff, “Identificamos um padrão de comunicação entre regiões do cérebro que está ligado a escolhas altruístas. Isso melhora nossa compreensão básica de como o cérebro sustenta decisões sociais e prepara o terreno para futuras pesquisas sobre cooperação — especialmente em situações em que o sucesso depende de as pessoas trabalharem juntas”.
Já o coautor Jie Hu destacou: “O que há de novo aqui é a evidência de causa e efeito: quando alteramos a comunicação em uma rede cerebral específica usando estimulação direcionada e não invasiva, as decisões de compartilhamento das pessoas mudaram de maneira consistente — alterando a forma como equilibravam seus próprios interesses com os dos outros”.
O também coautor Marius Moisa concluiu: “Ficamos impressionados ao ver que aumentar a coordenação entre duas áreas do cérebro levou a escolhas mais altruístas. Quando aumentamos a sincronia entre regiões frontais e parietais, os participantes ficaram mais propensos a ajudar os outros, mesmo quando isso implicava um custo pessoal”.
Os resultados, segundo os pesquisadores, contribuem para a compreensão de como o cérebro influencia decisões sociais e podem abrir caminho para novas investigações sobre cooperação e comportamento coletivo.
Fonte: Bem e Saúde

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