Cueca — Foto: Getty ImagesNos últimos tempos, espalhou-se pelas redes sociais o debate sobre usar ou não cueca, especialmente com foco em fertilidade. Há quem diga que não usar a peça pode melhorar a saúde reprodutiva masculina. Mas será? Ficar “mais arejado” no dia a dia realmente faz diferença? Ou tudo isso não passa de um mito que se espalhou sem base científica?
A dúvida é comum e a resposta não é tão simples. Segundo o urologista Dr. Ubirajara Barroso Jr., professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, existem benefícios e malefícios tanto em usar quanto em não usar cueca.
O aumento da temperatura escrotal, por exemplo, pode lesar os testículos e facilitar o crescimento de fungos. Cuecas muito apertadas podem elevar a temperatura da região, aumentar a umidade e deixar o ambiente menos arejado, o que pode favorecer infecções fúngicas na pele. Além disso, peças mais justas podem, potencialmente, reduzir a produção de espermatozoides.
De acordo com o médico, cuecas mais largas ou a ausência delas podem melhorar a ventilação da região, reduzindo a temperatura escrotal. Ele cita um estudo com 656 homens da Universidade de Harvard que observou que o tipo de roupa íntima pode influenciar marcadores da função testicular.
Há evidências de que usar cuecas folgadas, ou não usar, pode aumentar discretamente a quantidade de espermatozoides. No entanto, o médico ressalta que esse efeito é pequeno quando comparado a outros fatores de risco, como tabagismo, obesidade, idade e varicocele, que pioram a qualidade.
Mas, até o momento, não há dados robustos que comprovem que o uso ou não de cueca interfira diretamente na fertilidade.
O mais importante, segundo o especialista, é que os órgãos genitais estejam bem acomodados, em ambiente higiênico e sem causar desconforto. Mais importante do que usar ou não usar é garantir um ventilação, menos tecido sintético, nada apertado e boa higiene.
Uma alternativa equilibrada pode ser optar por cuecas mais folgadas, em vez de abandonar completamente o uso. Em ambientes quentes e úmidos, a troca da cueca ao longo do dia pode ser fundamental para evitar infecções.
O tipo de cueca importa para a saúde masculina?
Segundo o urologista, sim, e muito. O algodão é o tecido mais recomendado por ser mais suave, reter menos calor e favorecer melhor ventilação. Já os tecidos sintéticos tendem a aumentar a temperatura escrotal e a umidade, criando um ambiente mais propício para infecções fúngicas.
Quanto ao modelo, cuecas apertadas nunca são benéficas. O ideal é que a peça tenha tamanho adequado, não cause desconforto e não retenha umidade excessiva.
Além disso, a anatomia individual conta: homens com escroto mais volumoso ou pendente podem ser mais propensos a atrito e dor, precisando de melhor sustentação.
Há também casos de homens que sofrem com dermatites provocadas por calor ou pelo tecido da roupa, que podem testar o uso de cuecas mais largas ou até ficar sem cueca, observando se há melhora no quadro.
Há riscos de não usar cueca?
Por outro lado, não usar cueca também tem desvantagens. O escroto pode ficar mais pendente e ser comprimido entre as pernas, causando dor. Tecidos ásperos, como o jeans, podem irritar a pele genital. Roupas apertadas podem gerar desconforto e, se não forem lavadas com frequência, podem ser menos higiênicas do que a cueca, que normalmente é trocada diariamente.
No cotidiano e no trabalho, há alguns riscos:
- Trauma pelo atrito direto com a roupa
- Lesões acidentais com o zíper da calça
- Retenção de umidade em roupas apertadas
- Maior tração do escroto, podendo causar dor
Em atividades físicas, a ausência de suporte pode aumentar o risco de desconforto e pequenos traumas, já que a cueca ajuda a reduzir a mobilidade excessiva dos genitais.
Com informações gq.globo


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