Golpe do ‘falso advogado’ tem mais de 14 mil denúncias no país; veja como se proteger


Golpe feito com IA usa dados de processos reais para enganar cidadãos e pedir transferências de causas supostamente ganhas

Joedson Alves/Agência Brasil - Arquivo Joedson Alves/Agência Brasil - Arquivo

O velho conhecido golpe do falso advogado tem se aprimorado com a ajuda da inteligência artificial. Criminosos se passam por representantes jurídicos e enviam mensagens urgentes pedindo transferências (via Pix ou boletos) para a suposta liberação de valores de causas ganhas.

Segundo a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a ação já acumula mais de 14 mil denúncias desde o ano passado em mais de 21 estados e no Distrito Federal. Só o estado de São Paulo acumula 4.388 denúncias.

No Espírito Santo, a golpe também fez vítimas. Em dezembro de 2025, um homem de 24 anos foi preso em Guaçuí, na região do Caparaó, suspeito de se passar por advogado e enganar pelo menos dez pessoas. Ele utilizava documentos falsificados, incluindo procurações e decisões judiciais adulteradas, além de um número fictício de inscrição na OAB-ES. O suspeito atendia em um escritório montado no centro da cidade, apresentando uma fachada de legalidade.

Durante a operação, foram apreendidos diversos documentos falsificados, aparelhos eletrônicos e outros materiais utilizados nos golpes. A investigação aponta que o número de vítimas pode ser ainda maior, incluindo pessoas de municípios vizinhos e até de Minas Gerais.

A presidente da OAB-ES, Érica Neves, destacou que situações como essa ferem a confiança do cidadão e colocam em risco pessoas que buscam exercer seus direitos. A OAB-ES tem investido em fiscalização, orientação e tecnologia para coibir fraudes e fortalecer a credibilidade da advocacia.

Para combater esse tipo de crime, a OAB-ES disponibiliza um formulário online para denúncias de golpes envolvendo falsos advogados. A instituição reforça a importância de os cidadãos verificarem a regularidade dos profissionais antes de contratarem serviços jurídicos.
No DF, a Polícia Civil deflagrou uma operação policial com o objetivo de romper duas organizações criminosas distintas dedicadas à prática do golpe. As investigações tiveram início em julho do ano passado, quando dois moradores de Taguatinga transferiram R$ 30 mil e R$ 50 mil para os autores.

Sinais de desconfiança

Paula Lima Hyppolito Oliveira, presidente da AASP (Associação de Advogados de São Paulo), explica que o principal sinal de alerta é a urgência injustificada, normalmente acompanhada da ameaça de perda de um direito ou do bloqueio de valores se o pagamento não for feito imediatamente.

“Desconfie de solicitações de pagamento antecipado: profissionais da advocacia e escritórios sérios não costumam solicitar pagamentos via WhatsApp ou e-mail sem um contato prévio e formal”, recomenda.

Evitar fornecer dados pessoais ou bancários e não compartilhar informações sensíveis por meios não verificados também é essencial.

No entanto, a melhor forma de prevenção cabe aos advogados. “No momento da contratação, os escritórios podem inserir no contrato advocatício os meios de comunicação, meios de contato do escritório para o cliente, detalhando os números de telefone, e-mail, aplicativo e redes sociais utilizados pelo escritório.”


Prevenção

O golpe do falso advogado configura como crime de estelionato (art. 171 do Código Penal), podendo envolver também falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal) e uso indevido da identidade profissional.


Da Redação / Com informações do R7




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