Compressas frias e vestimentas de tecido respirável ajudam a reduzir riscos à saúde durante ondas de calor

Pediatra explica que o bebês são mais sensíveis às temperaturas elevadas • Foto: freepic.diller/Freepik
Durante o verão, você já parou para pensar que um grupo sente os efeitos das ondas de calor de forma muito mais intensa? Os recém-nascidos e crianças pequenas têm um organismo ainda imaturo para lidar com temperaturas extremas, o que exige atenção dobrada dos pais e cuidadores.
Para Renata Castro, pediatra neonatologista, as ondas de calor representam um risco real para a saúde dos bebês. Isso porque, além de apresentarem organismos mais sensíveis, ainda não têm a capacidade de expressar o desconforto térmico como os adultos.
“Bebês e recém nascidos possuem um sistema de termorregulação ainda imaturo, produzindo mais calor metabólico por quilo de peso e apresentando maior proporção de água corporal, o que os torna mais suscetíveis à elevação perigosa da temperatura corporal”, explica a profissional.
Ainda que pareça pouco, a alta das temperaturas pode levar a casos de desidratação, hipertermia e complicações mais graves, aumentando também o risco de morte súbita do lactente (termo que se refere aos bebês em seus 12 primeiros meses de vida).
Por isso, a orientação é monitorar constantemente crianças pequenas em dias de calor extremo. Dentre os principais sinais de alerta, a pediatra destaca a temperatura e coloração da pele — que tende a ficar quente, avermelhada ou excessivamente suada —, irritabilidade, choro inconsolável ou sonolência excessiva. Respiração mais rápida, diminuição do volume de urina, boca e lábios secos, extremidades frias com o tronco quente e recusa alimentar também são pontos de atenção.
“Em situações mais graves, podem surgir apatia, vômitos, moleira afundada, taquicardia, febre sem foco aparente ou até convulsões. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente”, orienta.
No entanto, a médica enfatiza que alguns truques e cuidados podem diminuir o desconforto térmico, garantindo a segurança do bebê até mesmo nos dias mais quentes:
Como aliviar as temperaturas para os bebês?
Para a pediatra, algumas medidas ajudam a resfriar o bebê com segurança. O primeiro passo está em manter o ambiente fresco e arejado, seja com o auxílio de ventiladores ou ar-condicionado moderado — desde que o ar gelado não esteja direcionado a criança. Além disso, apostar em roupas de materiais transpiráveis, como o algodão, também ajudam a minimizar o desconforto térmico.
Em temperaturas mais extremas, alguns aliados entram em cena. Bolsinhas térmicas, chapéus, umidificadores e mordedores gelados podem ajudar os papais a manter as crianças saudáveis. Para os mais velhos, brinquedos com água ou piscinas infláveis também ajudam a unir a diversão ao conforto.
“Roupas leves, claras e de algodão facilitam a perda de calor, assim como banhos mornos e a aplicação de compressas levemente frias em regiões como pescoço, axilas e virilhas”, complementa a médica.
No entanto, é importante evitar a exposição direta ao sol. Passar gelo, álcool ou líquidos gelados para “refrescar” também não é recomendado, uma vez que podem queimar ou irritar a pele do bebê, que costuma ser mais sensível.
Cuidados na rotina
Além dos produtos, a pediatra aponta que alguns cuidados durante a rotina são essenciais em dias mais quentes.
As sonecas, por exemplo, devem sempre acontecer em um ambiente ventilado ou climatizado, com roupas leves e evitando o uso de cobertores ou proteção de berço. Já os banhos devem ser mornos, e nunca frios. Se for levar a criança para passear, é ideal evitar o período entre as dez horas da manhã e quatro da tarde, sempre preferindo por sombras e carrinhos ventilados e com proteção contra a luz solar.
Em relação à alimentação, crianças maiores de seis meses devem consumir água com maior frequência; já bebês em aleitamento materno podem seguir a dieta usual, uma vez que o leite já oferece a hidratação necessária.
Fonte: CNN Brasil

.gif)