Verão, chuva e saneamento: o que cada um de nós tem a ver com isso?



O verão, com chuvas intensas, evidencia algo que deveria estar permanentemente no centro do debate público: saneamento não é um tema distante

Foto: Canva

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*Artigo escrito por Ana Paula Garcia, gestora de Comunicação no setor de saneamento da Aegea ES

Todos os anos, o verão chega trazendo calor intenso, pancadas de chuva mais fortes e, quase sempre, as mesmas imagens: ruas alagadas, extravasamentos, mau cheiro e transtornos para a população. A reação costuma ser imediata — a culpa recai sobre a chuva, sobre o clima, sobre algo que parece fora do nosso controle.

Do ponto de vista da comunicação, que acompanha diariamente as demandas da população, os registros de ocorrências e os desafios enfrentados pelas cidades, fica claro que não se trata apenas de um problema de infraestrutura. É, sobretudo, também uma questão de comportamento.

Quando falamos em saneamento básico, muita gente imagina grandes obras, estações de tratamento, redes subterrâneas e investimentos públicos. Tudo isso é essencial e precisa avançar continuamente. Mas o saneamento começa bem antes — começa dentro de casa, nas escolhas e hábitos cotidianos de cada cidadão.

O que jogamos na pia, no ralo e no vaso sanitário faz diferença. Óleo de cozinha descartado incorretamente, restos de comida, fios de cabelo, papel inadequado, absorventes, lenços umedecidos e até lixo comum acabam indo parar onde não deveriam.

Esses resíduos se acumulam, provocam entupimentos, sobrecarregam as redes e, em períodos de chuva intensa, contribuem para extravasamentos e alagamentos.

Outro problema recorrente são as ligações irregulares, quando a rede de esgoto é conectada indevidamente à rede de drenagem pluvial. Em dias secos, o impacto pode até passar despercebido. Mas basta uma chuva mais intensa para que o sistema entre em colapso, espalhando esgoto pelas ruas, córregos e áreas urbanas.

Os impactos vão muito além do transtorno momentâneo. Há reflexos diretos na saúde pública, no aumento do risco de doenças, na contaminação de rios e mares, no meio ambiente e na qualidade de vida urbana. É um problema que afeta a todos e cujo custo, no fim das contas, é coletivo.

É fundamental reforçar que a responsabilidade é compartilhada. Envolve investimentos, planejamento, operação, fiscalização e educação ambiental. O poder público, as empresas responsáveis pelos serviços e a sociedade têm papéis complementares — nenhum deles funciona de forma isolada.

Pequenas atitudes cotidianas fazem grande diferença. Não descartar óleo na pia, separar corretamente o lixo, evitar jogar resíduos no vaso sanitário, respeitar as orientações sobre o uso adequado das redes e comunicar situações irregulares são gestos simples que ajudam a preservar todo o sistema.

O verão, com suas chuvas intensas, apenas evidencia algo que deveria estar permanentemente no centro do debate público: saneamento não é um tema distante, técnico ou invisível. Ele está diretamente ligado à saúde, ao meio ambiente e à qualidade de vida nas cidades.

Cuidar do saneamento é cuidar da cidade. E esse cuidado começa dentro de casa, com escolhas conscientes, informação e responsabilidade coletiva


Fonte: A Gazeta 


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