Fenômeno próximo à Praia do Canto segue sem explicação conclusiva e é alvo de apuração do Ministério Público
Foto: Reprodução/Tv Vitória/RecordMais de um mês após o aparecimento, ainda não há explicação conclusiva das autoridades sobre o que é a mancha escura no mar de Vitória. O fenômeno foi identificado no fim de janeiro e permanece visível em um trecho do litoral da capital capixaba, próximo à região da Praia do Canto e da ponte da Ilha do Frade.
Enquanto a administração municipal afirma que o material lançado na água é resultado de uma obra de macrodrenagem, análises independentes apontam possíveis riscos sanitários, ampliando a divergência sobre o caso.
Desde 30 de janeiro, a reportagem da TV Vitória/Record busca esclarecimentos sobre a origem e a composição da mancha. Até o momento, não há consenso técnico sobre o que provoca a alteração na coloração da água.
O que dizem autoridades e órgãos envolvidos
Segundo a prefeitura, a água lançada no mar vem do lençol freático retirado durante intervenções de macrodrenagem na região. O material, conforme a gestão municipal, seria água salobra bombeada para permitir a execução das obras.
De acordo com o secretário de Obras da capital, Gustavo Perim, o processo consiste na drenagem de água do subsolo para viabilizar a construção de um reservatório na área.
Aquele lançamento que estamos vendo perto da ponte da Ilha do Frade é um lançamento de lençol freático para o mar. É uma água salobra do mar retirada para possibilitar a construção do reservatório.Gustavo Perim, secretário de Obras de Vitória
A prefeitura também informou que análises laboratoriais realizadas no ponto de lançamento não identificaram presença de coliformes fecais.
Secretário de obras Gustavo Perim. Foto: Reprodução/TV Vitória/RecordJá a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) declarou que a situação não é de sua competência e reiterou não ter responsabilidade sobre o fenômeno.
Laudo aponta concentração de coliformes fecais acima do limite
A explicação apresentada pelo município contrasta com o resultado de um laudo solicitado por vereadores da capital. A análise, conduzida por pelo laboratório Tomasi Ambiental, apontou concentração de coliformes fecais 43 vezes acima do limite permitido.
De acordo com o oceanógrafo Nélio Augusto Secchin, os níveis identificados indicam possibilidade de exposição a microrganismos capazes de causar doenças.
Esses valores indicam a possibilidade de exposição a patógenos, como vírus, bactérias e protozoários, que podem gerar micose, gastroenterite e infecções.Nélio Augusto Secchin, oceanógrafo
A diferença entre os resultados intensificou o debate sobre a real origem da mancha e seus possíveis impactos ambientais e sanitários.
Especialistas defendem investigação mais rigorosa
Para o professor de Biotecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Sérgio Túlio Cassini, a falta de respostas objetivas exige maior rigor na apuração.
“Tem que deixar o achismo de lado. É necessário acionar as estruturas responsáveis pelo monitoramento e cobrar uma resposta adequada das autoridades”, declarou.
O pesquisador destaca que a demora em esclarecer o fenômeno aumenta a preocupação da população e evidencia a necessidade de transparência nos resultados das análises.
Ministério Público cobra esclarecimentos
O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público do Espírito Santo, que solicitou informações aos órgãos responsáveis. O prazo inicial para esclarecimentos foi de 15 dias úteis.
Segundo o Ministério Público, a Cesan informou que a alteração na cor da água não está relacionada a falhas no sistema de esgotamento sanitário. A prefeitura, por sua vez, declarou ao órgão que a origem da mancha ainda está em apuração.
A Agência de Regulação de Serviços Públicos do Estado (Arsp) também informou que ainda está analisando as informações.
Enquanto as investigações seguem, a mancha permanece visível no litoral da capital capixaba, sem confirmação oficial sobre sua origem ou impacto ambiental.
Foto: Reprodução/TV Vitória/RecordCom informações da TV Vitória/Record.

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