Qual a relação entre menopausa e risco cardíaco; especialista esclarece


Queda hormonal exige atenção redobrada com a saúde do coração da mulher; veja dicas de prevenção do infarto

- Imagem Ilustrativa - Foto: Pixabay

A menopausa provoca alterações hormonais significativas no organismo feminino, o que impacta diretamente a saúde cardiovascular. A cardiologista Fernanda Douradinho relatou que a queda do estrogênio, hormônio com papel cardioprotetor, marca uma transição importante no perigo de doenças cardíacas entre as mulheres.

Segundo a especialista, o estrogênio atua na proteção do sistema cardiovascular ao melhorar a função endotelial, aumentar o HDL (chamado colesterol “bom”), reduzir o LDL (colesterol “ruim”), diminuir a inflamação vascular e favorecer a vasodilatação.

“Com a queda hormonal ocorre aumento da rigidez arterial, aumento da disfunção endotelial, aumento da formação de placa aterosclerótica e aumento da gordura visceral”, relatou. Como consequência, o risco cardiovascular feminino passa a se aproximar e, posteriormente, ultrapassar o dos homens.

Outro fator de alerta é a subestimação do infarto na mulher, que ainda enfrenta atraso no diagnóstico. Isso acontece porque os sintomas costumam ser diferentes dos clássicos.

“A dor torácica pode estar presente, mas nem sempre é o sintoma principal. Fadiga intensa e súbita, falta de ar, náuseas, dor nas costas ou mandíbula, desconforto epigástrico e ansiedade inexplicável são manifestações frequentes”, ressaltou a cardiologista.

Depois da menopausa, ainda conforme a médica, há também uma piora metabólica significativa, com aumento do LDL, redução do HDL, elevação da pressão arterial, resistência insulínica, maior incidência de diabetes e acúmulo de gordura abdominal.

Fernanda acrescentou que mulheres com histórico de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou hipertensão gestacional apresentam risco cardiovascular ainda mais elevado ao longo da vida.


Importância da prevenção

Diante desse cenário, a prevenção se torna fundamental, aconselhou a especialista. Entre os principais cuidados estão a prática regular de exercício aeróbico e treino de força, controle do peso e da circunferência abdominal, alimentação rica em fibras, vegetais e proteínas magras, sono adequado e manejo do estresse.

Exames como perfil lipídico completo, glicemia, HbA1c, aferição regular da pressão arterial e avaliação global do risco cardiovascular também são essenciais, podendo incluir, em casos selecionados, o escore de cálcio coronariano.

Fernanda reforçou que a avaliação deve ser individualizada e que a terapia hormonal não deve ser iniciada com objetivo cardiovascular isolado, sendo indicada apenas para mulheres sintomáticas após análise criteriosa do risco individual.

“Após a menopausa, o coração da mulher deixa de ter proteção hormonal, mas ganha a oportunidade da prevenção”, completou a especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Atualmente, ela é médica diarista na Unidade de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro e, também, coordenadora da UTI cardiológica no mesmo hospital, em Santos, no litoral paulista, além de professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da Unaerp. Também mantém consultório de cardiologia.


Fonte: Revista Fórum 





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