Gordura no fígado: entenda os principais sinais silenciosos e como tratar


A doença está diretamente ligada ao estilo de vida moderno, marcado por sedentarismo, má alimentação e aumento da obesidade


A esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, já atinge cerca de 30% da população mundial e cresce de forma acelerada nas últimas décadas. Na América Latina, o cenário é ainda mais preocupante: a doença alcança aproximadamente 44% das pessoas.

Considerada hoje uma das doenças hepáticas mais comuns no mundo, a esteatose hepática está diretamente ligada ao estilo de vida moderno, marcado por sedentarismo, má alimentação e aumento da obesidade.

Estudos internacionais indicam que cerca de 1,3 bilhão de pessoas convivem atualmente com a condição, número que pode chegar a 1,8 bilhão até 2050. Há projeções ainda mais alarmantes: mais da metade da população adulta mundial pode desenvolver a doença até 2040.

No Brasil, embora não haja um levantamento nacional consolidado recente, o consenso científico aponta que entre 30% e 35% da população adulta tenha gordura no fígado, índice que pode chegar a 40% em grupos de risco, como pessoas com obesidade ou diabetes.

A esteatose hepática é caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células do fígado. Pequenas quantidades são consideradas normais, mas a partir de 5% já se configura a doença.

Segundo a hepatologista Claudia Ivantes, o grande desafio é que a condição costuma evoluir de forma silenciosa. “Na maioria dos casos, a esteatose hepática não apresenta sintomas nas fases iniciais. Quando surgem sinais como cansaço, dor abdominal, inchaço ou até pele amarelada, a doença pode já estar em estágio mais avançado, o que é muito temeroso”, explica.

Entre os principais fatores de risco estão o diabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso. De acordo com o Ministério da Saúde, o excesso de peso está presente em cerca de 60% dos casos.


Pode evoluir para cirrose e câncer

Sem diagnóstico e tratamento adequados, a gordura no fígado pode para quadros mais graves. “A progressão da doença acontece em etapas: começa com o acúmulo de gordura, pode evoluir para inflamação, depois fibrose, cirrose e, em alguns casos, câncer de fígado. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental”, alerta a médica.

Apesar da gravidade, o rastreamento da doença é relativamente simples e acessível. A ultrassonografia abdominal é o exame mais utilizado para confirmar o acúmulo de gordura no fígado.

Em casos mais específicos, podem ser indicados exames para avaliar de forma não invasiva o grau de fibrose hepática como elastografia hepática transitória. “O clínico geral pode iniciar essa investigação durante um check-up de rotina. Se houver alteração, o paciente pode ser encaminhado para um gastroenterologista ou hepatologista”, destaca Claudia.

Diferente do que muitos imaginam, o tratamento da esteatose hepática não depende unicamente de medicamentos. “A base do tratamento é a mudança de estilo de vida. Alimentação equilibrada, perda de peso e prática regular de atividade física são as medidas mais eficazes e, muitas vezes, suficientes para reverter o quadro”, afirma.

Medicamentos podem ser utilizados em situações específicas, mas não são considerados a principal estratégia terapêutica. Em casos associados à obesidade grave, a cirurgia bariátrica pode ser indicada.

O médico Eduardo Ramos, que é especialista em cirurgia de fígado, diz que nos estágios mais avançados, quando há cirrose ou falência hepática, o transplante de fígado pode se tornar necessário. “No entanto, esse é o cenário extremo. A grande maioria dos casos pode ser controlada e até revertida com diagnóstico precoce, mudança de hábitos e uso de medicação”.

Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos indicam que o Brasil realizou 2.365 transplantes hepáticos em 2023. É um número recorde, mas ainda insuficiente para atender à demanda.


Fonte: A Gazeta



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