Mãe quase perde parte do braço após emergência com o filho: “Só queria salvar a vida dele"


Natalia Carvalhaes compartilhou a experiência ao tentar impedir que o filho se machucasse durante uma convulsão febril. O relato ultrapassou 1,7 milhão de visualizações e reacendeu o debate sobre o que fazer nesses momentos

O que começou como um mal-estar terminou em uma sequência de acontecimentos que marcou profundamente a vida de Natalia Carvalhaes da Silva, 31 anos, de Cabo Frio (RJ). Ao tentar socorrer o filho Rafael, hoje com 7 anos, durante uma convulsão febril, ela colocou o dedo na boca do menino acreditando que precisava segurar a língua dele para evitar asfixia.

Em meio à crise, a criança acabou mordendo o dedo da mãe, causando um ferimento grave que evoluiu para uma infecção e quase custou parte de seu braço. Um ano depois, Natalia decidiu compartilhar a história em um reels que viralizou e ultrapassou 1,7 milhão de visualizações no Instagram.

Mãe quase perde parte da mão ao tentar salvar filho — Foto: Arquivo pessoal

O caso aconteceu no fim de março de 2025, logo após Rafael completar 6 anos. Segundo contou à CRESCER, a escola do filho ligou avisando que o menino não estava se sentindo bem. No caminho para casa, ele vomitou. Ao chegar, deu banho, administrou antitérmico e o deixou descansando no sofá. Cerca de dez minutos depois, ela percebeu que ele estava convulsionando.

Natalia já havia presenciado uma convulsão febril quando Rafael tinha 2 anos. Na época, segundo ela, a crise foi silenciosa: a criança ficou rígida, sem reação. Depois de levá-lo ao hospital, recebeu a orientação de que se tratava de uma convulsão febril e não seria necessária investigação adicional. Anos depois, a nova crise aconteceu em meio a um quadro infeccioso causado por um machucado no joelho, que acabou provocando febre de 38,9°C.

“Quando olhei, ele estava convulsionando. Como ele já havia convulsionado antes, tentei manter a calma, só que as coisas foram perdendo o controle. A boca dele ficou muito roxa, eu nunca tinha visto nada parecido. Eu sempre ouvi, desde a infância, que precisava segurar a língua para a pessoa não se asfixiar, então, no desespero, achei que aquilo era o certo a fazer”, relata.


Ferimento que levou a infecção grave

Natalia colocou o dedo na boca do filho enquanto seguia para o hospital. O trajeto durou cerca de oito minutos, tempo em que Rafael permaneceu mordendo sua mão com força. “O dente dele trancou no meu dedo e eu senti uma dor horrível, mas, naquele momento, eu só queria salvar a vida do meu filho”, relatou ela no vídeo publicado nas redes.

Ao chegar à unidade de saúde, Rafael foi atendido pelos médicos. Foi, então, que ela percebeu a gravidade do próprio ferimento. “Quando olhei para a minha mão, estava bem estraçalhada. A parte de baixo parecia carne viva. Era uma dor horrível”, relembra, em entrevista à CRESCER.

Rafael ficou em observação por oito horas e recebeu alta sem sequelas. Já Natalia teve apenas cuidados locais. Mas, no dia seguinte, sua mão amanheceu inchada e dolorida. Três dias depois, voltou ao hospital e descobriu uma infecção.

Ela passou a administrar antibióticos diariamente, mas o quadro continuou evoluindo. Em casa, colocou gelo sobre a região lesionada para aliviar a dor e acabou sofrendo uma queimadura na pele, o que agravou ainda mais a situação. “A infecção baixou no início, mas, depois, começou a aumentar de novo. O dedo foi ficando muito feio. Eu ia ao hospital de madrugada de tanta dor e cheguei a tomar morfina. Nos últimos dias, nem morfina fazia efeito.”

No dia 5 de abril, os médicos decidiram interná-la. O braço já estava vermelho e a infecção havia avançado para além da mão. “Antes de o médico entrar, comecei a sentir como se minha mão estivesse enchendo e não tivesse mais espaço. Senti um cheiro muito forte e o líquido já estava saindo. Foi quando ele falou que, nesses casos, muitas pessoas acabam perdendo a mão.”


Cirurgia, recuperação e o alerta às famílias

Ainda naquela noite, Natalia passou por um procedimento de urgência para drenar a secreção acumulada. Segundo o relato, aproximadamente 500 ml de líquido foram retirados. No dia seguinte, foi submetida a um desbridamento, cirurgia que remove o tecido infeccionado para permitir a cicatrização.

Foram oito dias de internação, em isolamento, por se tratar de uma ferida aberta. “Quando fui ver como estava, não consegui olhar. Só consegui encarar depois de seis dias. Fiquei com tendão exposto, foi uma situação bem delicada. Mas, depois que tiraram a infecção, eu não sentia mais dor.”

Após receber alta, a mãe continuou fazendo curativos frequentes. Segundo ela, sua recuperação parcial levou cerca de 23 dias, e a total, aproximadamente um mês e meio.

Hoje, Natalia mantém a cicatriz e alguma limitação nos movimentos da mão — consegue fechar cerca de 70%. “A minha mão tem a cicatriz, que eu chamo de ‘marca do amor’. Meu dedo atrofiou um pouco, não consigo fechar a mão 100%, mas isso não me impede de nada”, conta ela. E completa: “Não tenho vergonha da cicatriz. Foi um ato de amor em um momento de desespero para salvar meu filho.”

Segundo ela, o desejo de contar a história existia desde o ocorrido, mas só agora sentiu que era o momento certo. O principal objetivo é alertar outras pessoas. “Muita gente não sabe que não pode colocar a mão na boca de quem está convulsionando. Eu fiz isso com uma criança. Se fosse um adulto, poderia ter arrancado meu dedo fora. Estou feliz porque consegui alcançar muitas pessoas e espero continuar ajudando com a minha história”, conclui Natalia.


O que fazer diante de uma convulsão infantil?
  • Assistir a uma convulsão em uma criança costuma ser uma situação muito angustiante, mas conseguir manter a calma faz diferença para oferecer ajuda adequada.
  • Confira abaixo as principais orientações de acordo com a neuropediatra Ana Luiza Câmara, do Hospital e Maternidade Sepaco (SP), e a epileptologista Letícia Sampaio, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (SP):
  • Mantenha a tranquilidade: Tente permanecer calma para conseguir agir da melhor forma possível. Vale lembrar que, na maioria dos casos, as convulsões não deixam danos permanentes.
  • Deixe a criança em segurança: Afaste objetos que possam provocar machucados, como móveis com quinas ou superfícies rígidas. Se der, vire a criança de lado para facilitar a saída de saliva e evitar aspiração de secreções.
  • Não impeça os movimentos: Evite segurar a criança ou tentar conter os movimentos durante a crise, exceto se houver risco imediato de ferimento. O ideal é permitir que a convulsão siga seu curso natural.
  • Proteja a cabeça: Caso haja risco de bater a cabeça, coloque algo macio por baixo, como uma almofada ou peça de roupa.
  • Marque o tempo da crise: Observe quando a convulsão começou e terminou. Se durar mais de cinco minutos ou ocorrerem crises seguidas sem recuperação da consciência entre elas, trata-se de uma emergência médica e o socorro deve ser acionado imediatamente.
  • Não coloque nada na boca: Não tente introduzir objetos na boca da criança durante a convulsão, pois isso pode causar lesões ou bloquear as vias respiratórias. A ideia de que a língua “enrola” é um mito.
  • Depois da convulsão: Veja se a criança respira normalmente e se recuperou a consciência. Se estiver inconsciente, coloque-a de lado na posição lateral de segurança e mantenha a calma até a chegada de ajuda médica.
  • Busque atendimento médico: Sempre que uma criança tiver uma convulsão, é importante procurar avaliação e orientação profissional.
Com informações da Revista Crescer




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