Diagnóstico tardio aumenta os casos de morte por câncer; especialista aponta as causas da demora

Para mais de 60% dos pacientes brasileiros, o diagnóstico do câncer só chega em estágios avançados da doença, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Esse atraso está diretamente relacionado a outro dado preocupante: até 2029, o câncer poderá se tornar a principal causa de morte no Brasil, de acordo com projeções do Observatório de Oncologia.
Dados compilados até 2023 apontam que a doença já ocupa a primeira colocação em 670 cidades do país, o que equivale a 12% do total de municípios brasileiros.
No Espírito Santo, cinco municípios já apresentam essa realidade: Rio Bananal, Alfredo Chaves, João Neiva, Governador Lindenberg e Ibiraçu.
O oncologista Loureno Cezana, do Hospital Santa Rita, explica que essa demora no diagnóstico e as altas taxas de mortalidade são resultado de uma combinação de fatores: baixa adesão ao rastreamento, falta de acesso, desinformação e negligência de sintomas.
Baixa adesão ao rastreamento
Cânceres como os de mama, colorretal, colo do útero, próstata e pulmão (em populações selecionadas), contam com métodos de rastreamento considerados eficazes. Entretanto, muitas vezes, esses exames não são realizados.
Uma parcela importante da população não realiza esses exames de forma regular, seja por dificuldade de acesso, baixa adesão, falhas na organização do sistema de saúde ou falta de informação.Loureno Cezana, oncologista do Hospital Santa Rita
Com isso, algumas dessas doenças aparecem no topo da lista de novos diagnósticos. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), os cânceres mais registrados no Espírito Santo, em 2025, foram: neoplasia maligna da mama (1.126), neoplasia maligna da próstata (897) e neoplasia maligna do reto (392).
Tumores sem métodos efetivos de rastreamento
Por outro lado, diversos tipos de tumores não contam com métodos de rastreamento eficazes ou acessíveis. Este é o caso do câncer renal, gástrico, de bexiga e de pâncreas.
“Nesses casos, o diagnóstico costuma ocorrer apenas quando surgem sintomas — muitas vezes tardios — o que aumenta a probabilidade de identificação da doença em estágios mais avançados”, explica Cezana.
Desigualdade no acesso à saúde e desinformação
Ainda existe, em várias regiões do país, dificuldade de acesso aos métodos de rastreamento, como mamografia, colonoscopia e exames preventivos. Isso inclui desigualdade regional, filas e demora na realização de exames e dificuldade de encaminhamento para especialistas.Loureno Cezana, oncologista do Hospital Santa Rita
Além disso, a falta de informação especializada tem preocupado especialistas. Uma pesquisa do aplicativo Olá Doutor apontou que sete em cada dez brasileiros consultam inteligências artificiais para tirar dúvidas sobre sintomas e doenças.
Sinais de alerta ignorados
Em alguns casos, segundo o oncologista, o câncer pode ser considerado uma doença silenciosa. Isso porque, nas fases iniciais, muitos tumores apresentam poucos ou nenhum sintoma.
Entretanto, isso não é uma regra. “Diversos sintomas iniciais do câncer são frequentemente subvalorizados ou atribuídos a causas benignas, o que contribui para o diagnóstico tardio”, acrescenta o especialista.
Sintomas que precisam de atenção
Confira alguns sintomas que podem indicar alguns tipos de tumores:
Congresso em Vitória vai debater fortalecimento da oncologia
Nos dias 14 e 15 de maio acontecerá o 4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita reunindo especialistas e profissionais da saúde para discutir avanços, desafios e estratégias no cuidado oncológico.
A programação inclui palestras, simpósios, mesas-redondas e sessões científicas. O objetivo é criar um ambiente de troca de experiências entre profissionais da oncologia, pesquisadores e gestores da área da saúde.
Serviço
4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita
Data: 14 e 15 de maio
Local: Centro de Convenções de Vitória
Inscrições: online, pelo site
Fonte: Folha Vitória





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