'Intercept Brasil' mostrou áudios e mensagens de texto em que Flávio trata Vorcaro, dono do Banco Master, como 'irmão' e pede dinheiro para financiar o filme 'Dark Horse', cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falou nesta sexta-feira (15) sobre as relações com o banqueiro preso Daniel Vorcaro e disse que não tem motivo para se justificar com ninguém.
Nessa quarta-feira (13), reportagem do "Intercept Brasil" mostrou áudios e mensagens de texto em que Flávio trata Vorcaro, dono do Banco Master, como "irmão" e pede dinheiro para financiar o filme "Dark Horse" (termo em inglês para 'azarão'), cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Vorcaro teria pago R$ 61 milhões a Flávio. A PF investiga se os valores foram usados para bancar Eduardo Bolsonaro, outro filho de Jair, nos Estados Unidos.
"Não tenho que justificar nada para ninguém. Foi uma época lá atrás, quando buscava investidor. Quando o Vorcaro era uma pessoa que circulava por todas as rodas, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, circulava perto de autoridades. Uma pessoa que era cortejada por todo o país. Ele topou fazer um investimento privado e não tem nada além disso", disse o senador.
Flávio esteve no Quartel-General da Polícia Militar, no Centro do Rio, nesta sexta, para a entrega de 342 capacetes balísticos, 904 fuzis e quatro viaturas. Os equipamentos foram adquiridos por meio de um convênio com o Ministério da Justiça, viabilizado a partir de emenda parlamentar de autoria do senador.
Ele estava acompanhado do presidente da Alerj, Douglas Ruas, apontado como um dos nomes do PL para disputar o governo do estado nas próximas eleições.
🔎 Vorcaro está preso em Brasília. Ele é acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.
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Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/TV Globo
Crítica a Zema
Flávio também comentou as declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que assim como ele é pré-candidato à Presidência, pelo Novo.
Na quarta-feira (13), Zema criticou o senador após a divulgação das mensagens para Vorcaro:
“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, declarou o político.
A versão de Flávio sobre a sua relação com Vorcaro mudou ao longo desta semana, desde a publicação da reportagem. Inicialmente, o senador negava ter pedido dinheiro a Vorcaro para a produção do filme. "É mentira, de onde você tirou isso?", respondeu o pré-candidato a um pedido de explicações de um jornalista.
Horas depois, ele mudou a versão e confirmou o contato com o banqueiro para financiar o longa-metragem. "O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público", afirmou Flávio em nota.
A própria produtora do filme, a GOUP Entertainment, negou que tenha recebido dinheiro do banqueiro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.
Mas a empresa está ligada a uma investigação preliminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a um grupo de entidades.
Isso porque o deputado Mário Frias (PL-SP), produtor executivo de "Dark Horse", teria destinado R$ 2 milhões em emendas à organização não governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil, presidida pela produtora do filme "Dark Horse", Karina Ferreira da Gama.
Mário Frias disse em nota que não há dinheiro público envolvido no filme sobre Jair Bolsonaro.
Nesta sexta, Flávio rebateu:
"Ele se precipitou. Ele me conhece, sabe que não tem nada de errado. Ele foi induzido a erro no afã de querer ser o primeiro a falar alguma coisa. Normalmente, o mineiro é uma pessoa que tem calma na hora de falar, não tem essa velocidade do Zema. Geralmente, é uma pessoa que pensa mais, raciocina e depois se posiciona", disse.
Fonte: g1

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