Presidente acusa senador de interferência externa; medida dos EUA classifica PCC e CV como organizações terroristas
SP.Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira (29), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o parlamentar solicitar ao governo dos Estados Unidos que classificasse facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
A declaração ocorreu após a decisão do governo norte-americano de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. A medida foi oficializada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Flávio Bolsonaro se reuniu com o presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, no início da semana. O encontro ocorreu em meio ao debate sobre segurança pública e cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Durante discurso, Lula acusou o senador de agir contra os interesses do país ao buscar apoio externo para tratar de questões internas.
“Não tem vergonha de pedir intervenção estrangeira em assuntos do Brasil”, afirmou o presidente. Em outro momento, Lula ironizou a situação ao dizer que, caso o pedido fosse relacionado a milicianos, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro “ficariam presos lá”.
🌎 Repercussão política
A decisão do governo dos Estados Unidos gerou reações distintas no cenário político brasileiro. Aliados de Flávio Bolsonaro consideraram a medida positiva, destacando a importância da cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado.
Já integrantes do governo federal e diplomatas demonstraram preocupação com possíveis impactos na soberania nacional e em áreas econômicas, além de eventuais interferências externas em políticas de segurança pública do Brasil.
Segundo o governo norte-americano, as facções brasileiras possuem atuação internacional e ligação com o narcotráfico, o que justificaria a classificação como organizações terroristas.
O tema segue repercutindo no cenário político e diplomático entre Brasil e Estados Unidos.


.gif)