Família de Railda Mendes Malafaia, de 77 anos, conseguiu exumar o corpo para fazer sepultamento em local correto; família moveu ação contra o Governo de Pernambuco
Railda Malafaia, de 77 anos, foi enterrada em cemitério errada após troca de corpos - Foto: Arquivo PessoalA família de Railda Mendes Malafaia, de 77 anos, idosa que foi enterrada por engano em Carpina (PE), em um erro cometido supostamente pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO), conseguiu a exumação do corpo da falecida nesta sexta-feira (8). Com isso, os familiares poderão fazer o sepultamento no local planejado anteriormente, no Cemitério de Santo Amaro.
“Tivemos de ir para Carpina ver o corpo já em decomposição e vamos amanhã novamente para poder retirar e sepultar em Santo Amaro. Mandamos abrir o caixão, mas eles não puderam fazer isso no cemitério lá. Só tiraram a tampa que é possível ver pelo vidro", indicou a nora de Railda, Bruna Negromonte. Não haverá velório. O caixão estará lacrado também por conta do odor proveniente do tempo passado após a morte da idosa e do fator de decomposição.
Entenda
“Uma odisseia”. Foi assim que o empreendedor André Malafaia definiu os últimos dias desde a morte da mãe, Railda Mendes Malafaia, de 77 anos.
A descrição não soa exagerada. O que deveria ser uma despedida se transformou em uma jornada marcada por obstáculos, imprevistos e um desfecho ainda incerto. Ao abrir o caixão momentos antes do enterro, percebeu que o corpo velado não era o dela. Railda havia sido enterrada por engano em Carpina, na Mata Norte de Pernambuco.
Dentro do caixão, estava outra mulher. “Essa senhora, que não faço ideia quem seja, virou legalmente, por um erro, a minha mãe”, afirmou.
“O falecimento da minha mãe foi no dia 3 de maio. Eu fazia visitas periódicas para ajudar com os dois cachorros que ela cuidava. Ela completaria 78 anos no dia 15 de maio. Tinha combinado que ia visitá-la no domingo para fazer uma faxina. Quando entrei na casa dela (no bairro do Ipsep, Zona Sul do Recife), eu a encontrei sem vida. Estava sentada no sofá, com a televisão ligada. Tomei a decisão de ligar para o Samu e depois acionamos o Serviço de Verificação de Óbito (SVO)”, iniciou André.
Os procedimentos, de acordo com o filho, seguiram os ritos normais. Ele foi, ao lado de um amigo de infância, ao Instituto Médico Legal (IML) reconhecer o corpo. Depois preparou o velório para a mãe, que seria realizado no Cemitério de Santo Amaro, área central do Recife. Chegando à funerária, na última terça-feira (5), veio a surpresa.
Susto
“Quando vi o caixão, notei que não era a minha mãe. Mas ainda fiquei tão abalado que queria acreditar que era ela. Mas não era. Abri para ver os pés porque minha mãe tinha joanetes longos e essa mulher não tinha. Porém, a identificação que estava no tornozelo dela era da minha mãe. Essa senhora, que não faço ideia quem seja, é legalmente minha mãe neste momento por conta desse erro”, citou.
A partir daí, André começou uma saga para entender o que ocorreu. A primeira suspeita - que se confirmou posteriormente - foi de que a mãe teria sido enterrada por engano no lugar da mulher que estava no caixão que deveria ser dela.
“Acredito que o erro na troca do corpo foi na identificação. Outra senhora deu entrada no mesmo período. Justamente a que hoje está, legalmente, identificada como minha. A pessoa que preencheu o documento de identificação cadavérica com as informações dela não foi a mesma que a colocou no caixão. O corpo que foi embalsamado foi o dessa senhora e não da minha mãe”, lamentou.
“Descobri que minha mãe foi enterrada no Cemitério Novo, em Carpina. Pelo que soubemos, o velório foi com o caixão fechado. Não sei o posicionamento da outra família. Consegui o número da funerária de Carpina e eles prestaram muita solidariedade com a gente, mas não podem fazer algo. Não temos sequer o laudo da morte da minha mãe. Legalmente, não sabemos o motivo porque o laudo que temos é o da morte dessa outra mulher, que ainda está na funerária em Santo Amaro”, completou.
Justiça
A advogada e esposa de André, Bruna Negromonte, entrou com uma ação contra o estado de Pernambuco e a Secretaria de Saúde. Em nota, Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) informou que irá investigar rigorosamente a ocorrência de troca de corpos registrada, a fim de identificar as circunstâncias do caso e responsabilizar os envolvidos
Com informações da Folha de Pernanbuco

.gif)