Homem relata convivência de quatro anos com som excessivo; filho autista seria prejudicado pela situação
Um morador de Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, que foi agredido por um guarda municipal de folga em frente a uma igreja evangélica, já havia registrado ao menos 17 boletins de ocorrência por causa do barulho vindo do local. Segundo Tiago Alves, o problema persiste há cerca de quatro anos e impacta diretamente o bem-estar do filho, uma criança autista de 9 anos.
A agressão ocorreu no dia 18 de maio e foi registrada por câmeras de segurança. De acordo com o relato, Tiago foi até a igreja para conversar sobre o volume do som quando acabou sendo atingido com socos pelo agente, que estava fora de serviço e participava do culto.
Após o episódio, a Guarda Municipal instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta do servidor. O agente foi afastado das atividades nas ruas e permanece em funções administrativas.
O morador afirma que vive no endereço há cerca de 20 anos e que as denúncias relacionadas ao barulho resultaram, em 2024, na abertura de um processo judicial. Em 2025, o Ministério Público de Santa Catarina apresentou denúncia por poluição sonora contra a instituição religiosa.
Na ocasião, a Justiça determinou medidas como isolamento acústico do imóvel, sob pena de multa e até suspensão das atividades. Posteriormente, uma nova perícia apontou que os níveis de ruído passaram a ficar dentro dos limites legais, o que permitiu a continuidade das atividades da igreja. O processo ainda está em andamento.
A Prefeitura informou que, em abril deste ano, medições realizadas no local indicaram que o nível de ruído ambiente já era elevado, inclusive fora do horário de culto. Durante as celebrações, a média registrada foi de 60 decibéis, com pouca variação em relação ao som já existente na rua.
Imagens mostram momento da agressão
As imagens de segurança mostram o momento em que Tiago é atingido por pelo menos quatro socos. Pessoas que estavam no local intervieram para conter o agressor, que foi levado para o interior da igreja após a ação.
A vítima relatou que inicialmente acreditava ter sido atingida apenas uma vez, mas ao assistir ao vídeo percebeu a sequência de agressões, inclusive após já estar no chão. Ele sofreu ferimentos e precisou de atendimento médico, levando seis pontos na boca.
Após o ocorrido, uma equipe da Guarda Municipal foi acionada, e o morador, junto com testemunhas, foi encaminhado à delegacia para prestar depoimento.
⚖️ Posicionamentos
Em nota, a Guarda Municipal informou que abriu procedimento interno para apurar os fatos e destacou que situações envolvendo servidores, mesmo fora do horário de serviço, são tratadas com rigor.
Já a igreja declarou que repudia qualquer tipo de violência e afirmou que o episódio ocorreu em via pública, sem relação direta com a instituição. Também ressaltou que todas as exigências legais relacionadas ao controle de ruído foram cumpridas.
O Ministério Público reforçou que a denúncia por poluição sonora foi baseada em registros anteriores e laudos técnicos, mas destacou que, após adequações realizadas pela igreja, os níveis de som passaram a atender os limites legais.
A Polícia Civil informou que o caso da agressão segue sob investigação em uma delegacia de Balneário Camboriú.

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