Levantamento do IBGE aponta avanço no acesso à educação, porém revela desigualdades regionais, raciais e desafios na permanência escolar
População com 60 anos ou mais era mais da metade (58%) do total de analfabetos em 2025 - Foto: Silvio Turra/SEED Paraná
O Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica recente, ficando abaixo de 5% pela primeira vez. Dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE apontam que cerca de 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever, o equivalente a 4,9% da população nessa faixa etária.
As informações fazem parte do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, que teve sua série histórica reponderada com base no Censo 2022. Em comparação com o ano anterior, o país reduziu em aproximadamente 592 mil o número de analfabetos, indicando avanço no acesso à escolarização.
Apesar da queda, o cenário ainda evidencia desigualdades marcantes entre regiões. O Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do país, com 4,8 milhões de pessoas e taxa de 10,6%. Na sequência aparecem o Norte (5,7%), Centro-Oeste (3,3%), Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%). Entre essas regiões, apenas o Sudeste apresentou redução no índice em relação a 2024.
A análise por faixa etária mostra que o analfabetismo está fortemente associado à população idosa. Pessoas com 60 anos ou mais representam 58% do total, somando cerca de 4,9 milhões. Nessa faixa, a taxa chega a 13,8%, enquanto entre indivíduos de 15 a 59 anos o índice cai para 2,6%, refletindo maior acesso à educação nas gerações mais recentes.
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas (13,7%) ficou ligeiramente abaixo da registrada entre homens (14,1%). Considerando toda a população com 15 anos ou mais, as mulheres também apresentam índice menor (4,6%) em comparação aos homens (5,2%), indicando avanços na escolarização feminina ao longo dos anos.
As desigualdades raciais seguem evidentes. Entre pessoas com 15 anos ou mais, 2,8% dos brancos são analfabetos, enquanto entre pretos ou pardos esse percentual sobe para 6,5%. A diferença se intensifica entre idosos: 20,6% dos pretos ou pardos com 60 anos ou mais não sabem ler e escrever, contra 7,3% dos brancos.
No campo da escolaridade, o levantamento traz um dado inédito: pela primeira vez, mais da metade da população preta ou parda com 25 anos ou mais (51,3%) concluiu o ensino médio. Ainda assim, o percentual segue abaixo do observado entre pessoas brancas (64,9%), mantendo uma diferença significativa.
A média de anos de estudo da população com 25 anos ou mais chegou a 10,2 anos em 2025, superior aos 9,1 anos registrados em 2016. As mulheres continuam com maior escolaridade média (10,4 anos) em relação aos homens (10,0 anos). Já na comparação por cor ou raça, brancos têm média de 11,1 anos de estudo, enquanto pretos ou pardos alcançam 9,5 anos.
O levantamento também evidencia dificuldades no acesso à educação infantil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Entre crianças de até 3 anos que não frequentavam creche, a falta de vagas, ausência de unidades próximas ou impedimentos na matrícula foi apontada como um dos principais motivos. No Norte, por exemplo, 35,2% dos bebês de até 1 ano estavam fora da creche por esses fatores, número que sobe para 44,5% entre crianças de 2 a 3 anos.
Já entre crianças de 6 a 14 anos, 96,1% frequentavam o ensino fundamental na etapa adequada, superando a meta de 95% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE). No entanto, o índice ainda não retornou aos níveis registrados antes da pandemia.
Entre jovens de 15 a 17 anos, 80,6% estavam no ensino médio ou já haviam concluído essa etapa, número abaixo da meta de 85% estabelecida pelo PNE. As desigualdades persistem: meninas (84%) têm maior presença nessa etapa do que meninos (77,4%), assim como jovens brancos (84,9%) em comparação aos pretos ou pardos (77,8%).
No ensino superior, apenas 24,5% dos jovens de 18 a 24 anos frequentavam a etapa adequada em 2025. Entre os que já concluíram a graduação, 6,2% são brancos, mais que o dobro dos 3,0% registrados entre pretos ou pardos, evidenciando barreiras no acesso e na conclusão do nível superior.
O abandono escolar segue como um dos principais desafios. Cerca de 7,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos não haviam concluído o ensino médio em 2025. Os maiores índices de evasão ocorrem a partir dos 16 anos, com destaque para os 17 anos, quando 20% dos jovens deixam a escola.
A principal razão apontada para o abandono é a necessidade de trabalhar, mencionada por 43% dos jovens. Em seguida aparece a falta de interesse pelos estudos (25,6%). Entre as mulheres, fatores como gravidez (24,7%) e responsabilidades domésticas também têm peso significativo na decisão de deixar a escola.
Os dados reforçam que, apesar dos avanços no acesso à educação, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais para reduzir desigualdades e garantir a permanência dos estudantes no sistema educacional.


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