Autoridades de saúde alertam que o consumo excessivo de cafeína pode causar insônia, ansiedade e palpitações, embora o consumo moderado possa trazer benefícios
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Café uma das bebidas mais consumidas no mundo — Foto: Reprodução/ Magnific
Para milhões de pessoas, o café faz parte da rotina diária desde as primeiras horas da manhã. Seu aroma, efeito estimulante e presença em escritórios, residências e espaços sociais o tornaram uma das bebidas mais consumidas no mundo. No entanto, alertas e dúvidas sobre os potenciais danos ao coração, cérebro e outros órgãos também surgiram em relação ao seu consumo.
Embora o debate tenha sido marcado por posições extremistas ao longo dos anos, organizações científicas e autoridades reguladoras concordam que o problema geralmente não é o café em si, mas sim o excesso de cafeína e as circunstâncias individuais de cada pessoa.
Atualmente, uma das referências mais utilizadas para o consumo seguro vem de entidades como a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Ambas concordam que, para a maioria dos adultos saudáveis, o consumo de até 400 mg de cafeína por dia geralmente não está associado a efeitos negativos significativos para a saúde. Essa quantidade é aproximadamente equivalente a 3 ou 4 xícaras de café filtrado tradicional, embora a quantidade real possa variar consideravelmente dependendo do tamanho da bebida, do método de preparo e do tipo de grão utilizado. De acordo com informações compiladas pela FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA), uma xícara padrão de 355 ml pode conter entre 113 e 247 mg de cafeína.
Fatores como tempo de preparo, nível de torra e variedades como o café Robusta, que possui mais cafeína que o Arábica, podem alterar significativamente a concentração final.
No entanto, nem todos reagem da mesma forma à cafeína. Enquanto alguns podem consumir café à noite sem perturbar o sono, outros desenvolvem sintomas com quantidades muito menores devido a diferenças no metabolismo e na sensibilidade individual.
Entre os efeitos mais frequentes associados ao alto consumo de cafeína estão insônia, nervosismo, ansiedade, irritabilidade, palpitações, aumento da frequência cardíaca, dores de cabeça e desconforto gastrointestinal. A FDA observa que, “para a maioria dos adultos, 400 mg por dia geralmente não está associado a efeitos adversos”.
Contudo, a agência também esclarece que fatores como peso corporal, medicamentos, condições preexistentes e sensibilidade individual podem modificar o limite tolerável para cada pessoa.
A situação muda em populações específicas. Em mulheres grávidas ou em período de amamentação, organizações internacionais recomendam reduzir o consumo para um máximo de aproximadamente 200 mg por dia, pois a cafeína pode atravessar a placenta e permanecer no organismo por mais tempo durante a gravidez.
Além do café tradicional, a cafeína também está presente em refrigerantes, chás, chocolates, suplementos esportivos, barras energéticas, medicamentos e bebidas energéticas, alguns dos quais podem conter altas quantidades em uma única embalagem.
Um dos pontos que mais preocupa as autoridades de saúde é a disponibilidade de cafeína pura ou altamente concentrada. O FDA alertou que doses rápidas próximas a 1.200 mg podem causar efeitos tóxicos, como convulsões, enquanto quantidades ainda maiores podem representar risco de morte.
Outro aspecto importante é o horário de consumo. A EFSA alertou que mesmo doses próximas a 100 mg, tomadas pouco antes de dormir, podem afetar a qualidade do sono, especialmente em pessoas sensíveis à cafeína.
No entanto, evidências científicas também apontam benefícios potenciais associados ao consumo moderado de café. Alguns dos efeitos positivos destacados incluem melhorias no desempenho físico, no estado de alerta e em certos indicadores cardiovasculares, embora os resultados dependam do contexto de saúde de cada indivíduo.
Fonte: O Globo

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