Com o diagnóstico do ator canadense Tyler Mane, surgiu a dúvida: 'Homens têm câncer de mama?' Sabrina Chagas explica tudo o que você precisa saber para não deixar passar os sinais de alerta
A doença em homens possui forte ligação genética, frequentemente associada a mutações no gene BRCA2. Por isso, especialistas recomendam testes genéticos para os pacientes diagnosticados.
A falta de informação faz com que homens ignorem alterações como nódulos e retração no mamilo. Esse desconhecimento costuma atrasar a busca por ajuda médica especializada.
Quando o tumor é identificado precocemente, em estágio inicial com menos de um centímetro, as chances de cura podem atingir até 98%.
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Tyler Mane descobriu câncer de mama — Foto: Dimitrios Kambouris/Getty Images
Após Tyler Mane, ator de "X-Men" e "Halloween", revelar diagnóstico de câncer de mama aos 59 anos, muita gente ficou surpresa. Isso porque o câncer de mama, tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é raro em homens. Segundo o Ministério da Saúde, a doença em homens representa cerca de 1% dos casos.
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Tyler Mane em X-Men (2000), Tróia (2004) e Halloween (2007) — Foto: Reprodução/IMDB
Sabrina Chagas, coordenadora dos Comitês de Comunicação e Survivorship da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, conversou com o gshow e explica, a seguir, sinais, sintomas, diagnóstico e prevenção.
"O câncer de mama em homens é raro, mas tem uma relação genética mais forte do que nos casos femininos. Uma parcela maior dos pacientes apresenta mutações hereditárias associadas à doença, principalmente no gene BRCA2. Por isso, todo homem diagnosticado com câncer de mama deve ser avaliado para aconselhamento genético e, na maioria das vezes, para realização de teste genético. A identificação dessas mutações pode ajudar não apenas no tratamento do paciente, mas também na orientação de familiares que possam ter risco aumentado de desenvolver câncer", explica a mastologista.
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Dra.Sabrina Chagas, mastologista — Foto: Divulgação
A médica relata que muitos homens recebem o diagnóstico com surpresa, já que a maioria sequer imagina que também pode desenvolver câncer de mama.
"O diagnóstico traz o medo da morte, o isolamento por ter vergonha de falar que tem um tumor na mama. Assim como as mulheres devem apalpar suas mamas, os homens também. Devem conhecer seus corpos como um todo", aconselha.
A mastologista destaca uma experiência pessoal que mudou completamente a sua visão sobre a doença. "Meu pai, que também é mastologista, recebeu o diagnóstico de câncer de mama aos 69 anos. É tão raro que, mesmo sendo especialista na área, ele jamais imaginou que pudesse desenvolver a doença. Tudo começou com uma retração no mamilo. Após a investigação, foi identificado um tumor de cerca de 2 centímetros. Ele precisou passar por cirurgia, quimioterapia e todo o processo de tratamento, que foi bastante desafiador para nossa família".
Da experiência, ela escreveu o livro "Como estamos? O desafio do câncer de mama", um diário sobre os 121 dias que separam o diagnóstico ao fim do tratamento do câncer de mama de seu pai, o mastologista Ricardo Chagas, que se curou.
Sinais e sintomas
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Câncer de mama em homens: saiba como diagnosticar precocemente — Foto: Getty Images
Segundo a médica, os sinais e sintomas do câncer de mama em homens são bem parecidos com os que as mulheres têm.
"Os homens podem ter retração do mamilo, sangramento ou secreção diferente, podem aparecer com gânglio na axila e alteração da textura da pele. São os mesmos sintomas, mas como homens não fazem rastreio como as mulheres, eles demoram mais a detectar."
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de mama masculino segue um processo semelhante ao realizado nas mulheres. Quando surgem sinais como nódulos na mama ou retração do mamilo, o paciente é encaminhado para avaliação clínica e exames de imagem, como mamografia e ultrassonografia das mamas e das axilas. A confirmação da doença, porém, depende da realização de uma biópsia.
"Em alguns casos, o cirurgião também pode solicitar uma ressonância magnética para auxiliar no planejamento do tratamento cirúrgico. Após a confirmação do diagnóstico, são realizados exames complementares para avaliar se a doença se espalhou para outras partes do corpo. Entre eles estão tomografias de tórax e abdome, além de ultrassonografias, cuja indicação varia de acordo com o estágio do tumor e as características de cada caso", alerta a mastologista.
Tratamentos
O tratamento do câncer de mama em homens segue também os mesmos protocolos utilizados para as mulheres. De acordo com a especialista, a cirurgia costuma ser a primeira etapa e, dependendo do estágio da doença, pode ser complementada por quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia.
Prevenção
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Cultivar hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco de doenças — Foto: Freepik
Sabrina alerta sobre a adoção de um estilo de vida saudável como forma de prevenção. A prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada e o controle do peso corporal ajudam a reduzir o risco de desenvolver a doença.
No caso dos homens, como há uma relação proporcionalmente maior com fatores genéticos, é fundamental estar atento ao histórico familiar de câncer de mama. Quando há casos na família, o médico pode recomendar uma investigação genética para identificar possíveis mutações associadas à doença. Se alguma alteração genética for confirmada, o paciente receberá orientações individualizadas para acompanhamento e rastreamento.
Preconceito e conscientização
Segundo a médica, a desinformação interfere na busca por um atendimento. "A maior parte da população ainda acredita que homens não têm câncer de mama. E isso acontece porque homens têm tecido mamário, mas em volume menor. Isso faz com que eles não tenham hábito de apalpar as mamas e demorem a valorizar alguma alteração que apareça na mama e no mamilo. Isso atrasa a busca por um médico."
"Precisamos reforçar que os homens também têm tecido mamário, podem desenvolver a doença, quanto mais essa informação circular, ainda mais com uma história familiar de câncer de mama , ovário, maior a chance de intensificar a busca por investigação genética. Também é importante reconhecer a importância dos hábitos de vida para prevenção."
Diagnóstico precoce
Independentemente do gênero, o diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de cura do câncer. No caso do câncer de mama, quando o tumor é identificado ainda em estágio inicial — com menos de 1 centímetro, por exemplo — as chances de cura podem chegar a 98%.
Por outro lado, quanto mais avançada estiver a doença no momento do diagnóstico, menores tendem a ser as possibilidades de sucesso do tratamento. Por isso, a atenção aos sinais e a busca por avaliação médica diante de qualquer alteração são fundamentais.
Com informações do Gshow

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