Maria Ângela Costa, gari em Navegantes, conta que se livrou da depressão através do atletismo
Coletora de lixo que conquistou pódio em prova treina correndo atrás de caminhão em SCFoto: @angelapoderosa2024/Maria Ângela Costa/InstagramUma coletora de lixo ganhou destaque após ficar em segundo lugar na prova de 5 quilômetros da Meia Maratona de Itajaí, que comemorou os 116 anos da cidade no último domingo (14). A atleta Maria Ângela Costa, de 43 anos, contou que parte do treinamento para as provas ocorre durante o trabalho atrás dos caminhões de coleta.
Natural de Rio Branco, no Acre, Maria Ângela mora em Santa Catarina e trabalha há oito anos na coleta de lixo. Atualmente, integra a equipe da empresa Recicle, que realiza o serviço em Navegantes. Antes disso, passou pela Ambiental, em Itajaí, onde atuou por três anos, e pela Saay’s.
Segundo ela, a rotina começa antes mesmo do amanhecer. Ainda antes das 4h30, ela já está de pé para encarar o expediente. Durante o trabalho, corre atrás do caminhão de coleta, sobe e desce das plataformas e percorre quilômetros diariamente pelas ruas da cidade.
Coletora de lixo supera a depressão com a corrida
Ângela Costa, conhecida nas redes sociais como “Ângela Poderosa”, afirma que foi a corrida que a tirou da depressão e mudou completamente sua vida. Hoje, além de trabalhar na coleta de resíduos em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, ela acumula medalhas e pódios em provas de rua.
Ângela Costa, conhecida nas redes sociais como “Ângela Poderosa”, afirma que foi a corrida que a tirou da depressão e mudou completamente sua vidaFoto: @angelapoderosa2024/Maria Ângela Costa/InstagramMas o troféu mais importante, segundo ela, foi conquistado muito antes das pistas. “Eu sofri uma depressão e o que me tirou da depressão foi o esporte. Senão, eu não era nada sem ele. Quando estou triste, saio para correr”, revela.
Esforço no trabalho virou treino
O esforço físico constante acabou se tornando uma espécie de treinamento natural para as competições. Segundo Ângela, a decisão de transformar a corrida em algo mais sério nasceu justamente da relação criada com os moradores durante o trabalho. “As pessoas me viam correndo e gritavam: ‘Vai, guerreira, que tu consegue!’”, conta.
Com o passar dos anos, ela começou a participar de provas de rua e a colecionar resultados expressivos. Mesmo enfrentando uma lesão recente, conseguiu subir ao pódio na Meia Maratona de Itajaí.
Durante o trabalho, corre atrás do caminhão de coleta, sobe e desce das plataformas e percorre quilômetros diariamente pelas ruas da cidade
A atleta afirma que conciliar trabalho, casa e treinos exige sacrifícios diários. Quando termina o expediente, muitas vezes já no início da noite, ela ainda encontra tempo para frequentar a academia e fazer fortalecimento muscular.
“Ontem fiz treino de perna, hoje estou indo fazer braço. Como a gente dói de tanta coisa, meu Deus. Mas quem tem objetivo tem que correr atrás, porque sonho não tem perna, mas a gente tem”, brinca.
Além da preparação física, ela também mantém cuidados com a alimentação, priorizando alimentos naturais e reduzindo o consumo de açúcar.
Atleta conquistou o segundo lugar na categoria 5 quilômetros
Próximo desafio já tem data
Agora, o foco está voltado para uma corrida noturna marcada para agosto, em Navegantes. Para a prova, Ângela iniciou uma nova fase de preparação, com acompanhamento de treinador especializado em velocidade e ajustes ainda mais rigorosos na alimentação.
O principal desafio, segundo ela, é conciliar os horários das competições com a escala de trabalho para não perder benefícios conquistados pela assiduidade no emprego.
Apesar das dificuldades, a motivação segue a mesma que a ajudou a vencer a depressão anos atrás. “Eu amo correr. Conseguir ajuda para pagar minhas corridas já é tudo. E eu sou bem dedicada”, afirma.
Quem quiser apoiar a atleta financeiramente pode entrar em contato direto pelo telefone (47) 99151-7137.
Com informações do ND+

.gif)