Idoso leva golpe de R$ 130,5 mil ao comprar churrasqueira on-line


Aposentado, de 82, teve investimentos resgatados e dinheiro usado em compras e transferências após cair em esquema de golpistas que fingiam ser do Mercado Livre

O idoso se emocionou ao contar sobre o sofrimento que a perda financeira tem causado. Segundo Antônio, ele e a esposa não dormem há dias e sentem constrangidos ao contar sobre o ocorrido / Crédito: Marcos Vieira /EM/DA.

Ao tentar acompanhar a entrega de uma churrasqueira comprada pela internet, o jornalista aposentado Antônio Maia Viana, de 82 anos, teve cerca de R$ 130 mil desviados por criminosos em Belo Horizonte. Em 5 de junho, os golpistas se passaram por funcionários do suporte do Mercado Livre, obtiveram dados bancários da vítima e realizaram resgates de investimentos, transferências via Pix e compras que somam dezenas de milhares de reais. Um boletim de ocorrência foi registrado junto à Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).

O golpe começou após Antônio e a esposa comprarem uma churrasqueira anunciada no Mercado Livre para ser instalada em um sítio da família na Serra do Cipó, distrito de Santana do Riacho, na Região Central do estado.

De acordo com o aposentado, a oferta foi encontrada pelo filho do casal e enviada à mãe por meio de um link. O preço chamou atenção por estar abaixo de outros anúncios semelhantes.

No mesmo dia da compra, Antônio acessou a internet para obter informações sobre a entrega. Durante a conversa, foi informado de que um suposto setor de suporte da plataforma faria contato para auxiliar no processo. Poucas horas depois, a ligação aconteceu.


Criminosos usaram urgência para convencer vítima

Ainda conforme Antônio, o falso atendente alegou que precisava confirmar informações para agilizar a entrega da churrasqueira. Inicialmente, foram solicitados dados pessoais, como CPF, endereço, telefone e informações bancárias. No dia seguinte, em 6 de junho, os criminosos voltaram a ligar e continuaram o procedimento.

A vítima afirma que os golpistas demonstravam conhecimento sobre a compra realizada e transmitiam confiança durante toda a conversa. "Eles eram extremamente preparados. Não tinha erro de português, não tinha nada que levantasse suspeita. Eu acreditava que estava falando com a empresa", relatou.

Segundo o aposentado, os criminosos chegaram a solicitar senhas bancárias sob a justificativa de liberar procedimentos relacionados à entrega do produto. 


Mais de R$ 100 mil em investimentos foram resgatados

Enquanto mantinham contato com a vítima, os criminosos conseguiram acessar a conta bancária e resgatar dois investimentos. Conforme documentos apresentados por Antônio, foram retirados R$ 65.230 e R$ 65.303, somando aproximadamente R$ 130,5 mil.

Após os resgates, o dinheiro passou a ser utilizado em diferentes operações financeiras. 


Pix para desconhecido e compras de quase R$ 75 mil

Entre as movimentações identificadas pela vítima está um Pix de R$ 7 mil enviado para um homem. Também foram realizadas compras em nome de terceiros na Leroy Merlin. Segundo os comprovantes apresentados pelo aposentado, os valores foram de: R$ 4,9 mil, R$ 47,1 mil, R$ 17,7 mil, R$ 5,5 mil – totalizando cerca de R$ 75,2 mil.

Antônio afirma não conhecer nenhuma das pessoas que aparecem associadas às transações e defende que os fatos sejam investigados pelas autoridades. "Eu não quero acusar ninguém sem provas. Quero que a polícia descubra quem são essas pessoas e qual a participação delas nessa história", disse.


Suspeita surgiu após pedido de reconhecimento facial

O aposentado conta que começou a desconfiar da situação quando os supostos atendentes solicitaram procedimentos adicionais, incluindo uma tentativa de reconhecimento facial. Nesse momento, ele interrompeu a conversa.

"Eu falei para minha esposa que não passaria mais nenhuma informação porque estava achando que estava lidando com um bandido", recordou. Pouco depois, os criminosos encerraram o contato. 


Banco identificou movimentações atípicas

Ainda segundo Antônio, o banco entrou em contato na mesma data informando que havia detectado movimentações consideradas incomuns na conta. Cartões e acessos foram bloqueados preventivamente.

Na segunda-feira seguinte (8/6), o aposentado procurou uma agência para entender o que havia acontecido. Desde então, afirma ter ido ao banco mais de cinco vezes em busca de esclarecimentos e da recuperação dos valores. O caso também foi registrado junto à Polícia Civil.


Impacto emocional

Durante a entrevista, Antônio se emocionou ao relatar os efeitos do golpe sobre a família. Em determinado momento, precisou interromper a conversa por não conseguir conter o choro.

De acordo com ele, tanto ele quanto a esposa têm enfrentado dificuldades para dormir desde que descobriram o prejuízo. "É um dinheiro de uma vida inteira de trabalho. A gente fica sem chão", afirmou. Apesar do prejuízo, o aposentado diz manter a esperança de recuperar os recursos.


Empresas apuram o caso

A reportagem procurou o Mercado Livre, a Leroy Merlin e o banco Itaú para comentar o caso. Até a publicação desta matéria, Mercado Livre e Itaú informaram que estão apurando os fatos, mas não enviaram posicionamento oficial.


A Leroy Merlin encaminhou a seguinte nota:

"Assim que foi contatada pelo cliente a empresa o orientou a registrar boletim de ocorrência junto às autoridades para a devida apuração dos fatos. A companhia adotou as medidas em relação aos pedidos ainda não concluídos e reforça a importância da utilização de seus canais oficiais de atendimento sempre que necessário. Reforça ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com informações, caso necessário."

  
Alerta para golpes

Especialistas em segurança digital alertam que empresas, bancos e plataformas de comércio eletrônico não solicitam senhas bancárias, códigos de autenticação ou reconhecimento facial por telefone para resolver problemas relacionados a entregas ou compras.

Em caso de contato suspeito, a orientação é encerrar imediatamente a ligação e procurar os canais oficiais da empresa antes de fornecer qualquer informação pessoal ou financeira.


Fonte: Estado de Minas 




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