Operação “Mens Occulta” expõe Pai, esposa e filhas suspeitos de atuar no tráfico internacional


Pai e filhas são apontados como núcleo central de esquema investigado na operação “Mens Occulta”

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma família inteira passou a ser investigada pela Polícia Federal (PF) no âmbito da operação “Mens Occulta”, que apura suspeitas de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro. Entre os investigados estão pai, mãe, filhas e um ex-genro.

De acordo com as investigações, Mario Sergio Nunes e as filhas, Brenda da Silva Nunes e Bruna Nunes, são apontados como integrantes do núcleo principal da organização criminosa.

Mario e Brenda foram presos na terça-feira (2), em um hotel. Já Bruna Nunes é considerada foragida pelas autoridades.

A operação busca desarticular o grupo suspeito de atuar no envio de drogas para o exterior, além de movimentar recursos ilícitos por meio de práticas de lavagem de dinheiro.

As investigações seguem em andamento, e a Polícia Federal deve aprofundar a apuração sobre o envolvimento de cada um dos suspeitos no esquema criminoso.

As investigações também alcançam a esposa de Mario, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, apontada pela Polícia Federal como participante na estruturação e manutenção das atividades ilícitas atribuídas ao grupo.

De acordo com a corporação, apesar de ser investigada, Maria não é considerada foragida. Até o momento, as autoridades entenderam que o cumprimento de mandado de busca e apreensão foi suficiente em relação à suspeita.

A Polícia Federal segue apurando o grau de envolvimento de cada investigado no esquema, que envolve suspeitas de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

As investigações da Polícia Federal também apontam que Rhanniery Nunes Graciano, ex-namorado de Brenda, teria atuado na ocultação de bens e na continuidade das atividades ilícitas do grupo. Ele foi preso na mesma operação, realizada na terça-feira (2).

Em nota, o advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, informou que ainda não teve acesso completo aos autos do processo, que corre sob sigilo. Segundo ele, os investigados confiam nas instituições e estão à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A reportagem também tenta contato com a defesa de Rhanniery.


🔎 Quem é quem no esquema


Mario Sergio Nunes, conhecido como “Serjão”

Apontado como líder da organização criminosa, Mario Sergio Nunes é considerado pela Polícia Federal o principal responsável pela estrutura do grupo investigado no Triângulo Mineiro.

Segundo a corporação, ele também é conhecido pelos apelidos de “Serjão do PCC”, “Pedro” e “Pedrão”, sendo apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região.

As investigações indicam que Mario comandava uma estrutura hierárquica rígida, com divisão de funções e forte controle sobre os demais integrantes. Conversas interceptadas pela PF revelariam que sua posição dentro da organização gerava temor até mesmo entre membros subordinados.


Bruna Silva Nunes

De acordo com a investigação da Polícia Federal, Bruna Silva Nunes teria participação ativa no esquema criminoso liderado pelo pai.

Segundo os investigadores, ela atuaria como intermediária na comunicação do grupo, além de utilizar contas bancárias para movimentações financeiras consideradas ilícitas.

A apuração também aponta que Bruna mantinha um padrão de vida incompatível com a renda formal declarada, estimada em R$ 3.750 mensais. Entre os bens identificados está um veículo avaliado em cerca de R$ 130 mil, que, conforme a investigação, teria sido financiado por Mario Sergio Nunes.

Ainda segundo a Polícia Federal, entre março e maio de 2023 foram registradas movimentações financeiras consideradas atípicas e sem justificativa na conta da investigada. Os recursos, conforme a apuração, teriam sido utilizados para custear despesas mensais do pai, que chegariam a aproximadamente R$ 30 mil.

Os investigadores também destacam que mensagens interceptadas indicam preocupação de Bruna em apagar conversas com suspeitos ligados ao crime organizado. Para a PF, esse comportamento sugere que ela teria conhecimento das atividades ilícitas investigadas.

Outro ponto ressaltado é que Bruna já havia sido denunciada, em 2019, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ao lado de familiares, por suspeitas de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no município de Monte Carmelo.

Diante dos indícios reunidos ao longo da investigação, a Polícia Federal solicitou à Justiça a expedição de mandados de busca e apreensão, além da prisão preventiva de investigados apontados como peças-chave no esquema.


🔎 Brenda Silva Nunes

Segundo a Polícia Federal, Brenda Silva Nunes exercia funções semelhantes às da irmã dentro da organização criminosa investigada.

De acordo com a apuração, ela atuaria diretamente no controle financeiro do grupo e na comunicação com outros suspeitos ligados ao tráfico de drogas na região.

Assim como os demais familiares, Brenda já havia sido denunciada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em 2019, por suspeitas de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Monte Carmelo.

A investigação aponta ainda que a investigada movimentava recursos por meio da empresa Pedro Estética Veicular, registrada em nome da mãe, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, e apontada pela PF como empresa de fachada. Os valores, segundo os investigadores, seriam utilizados para custear despesas pessoais da família.

Ainda conforme a Polícia Federal, Brenda não possuía emprego formal e mantinha um padrão de vida incompatível com a renda declarada. Entre os bens citados na investigação estão lanchas, motos aquáticas e cavalos de competição avaliados em cerca de R$ 50 mil cada.

Mensagens interceptadas indicariam que Brenda tinha conhecimento das atividades atribuídas ao grupo. Em conversas com a irmã, ela teria comentado apreensões de drogas e feito referências à posição do pai dentro da organização criminosa, além de mencionar o uso do nome dele para intimidar terceiros.


🔎 Rhanniery Nunes Graciano

A Polícia Federal aponta que Rhanniery Nunes Graciano, ex-genro de Mario Sergio, atuaria como “laranja” da organização, sendo responsável por ocultar patrimônio e auxiliar na lavagem de dinheiro.

Segundo a investigação, ele passou a ser monitorado após uma negociação considerada suspeita envolvendo uma carreta. O veículo havia sido anteriormente flagrado transportando semirreboques com carga de cocaína apreendida em abril de 2025.

De acordo com a apuração, Rhanniery adquiriu o caminhão por R$ 320 mil logo após a apreensão da droga e o revendeu no dia seguinte por R$ 300 mil. Para os investigadores, o prejuízo financeiro indicaria tentativa de ocultação do bem.

A Polícia Federal também destaca que a movimentação financeira atribuída ao investigado é incompatível com sua renda formal, que, segundo registros, incluía auxílio emergencial e salário de R$ 1.516,67 em dezembro de 2024.

Apesar disso, o investigado ostentaria nas redes sociais um padrão de vida elevado, com registros em lanchas, veículos de luxo, motos e cavalos.

Para a PF, o uso de “laranjas”, empresas de fachada e a repetição de rotas logísticas reforçam os indícios de atuação de uma organização criminosa estruturada — elementos que embasaram o pedido de prisão preventiva de Rhanniery.

Com informações do G1




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