Queda anunciada para junho interrompe sequência de altas e reflete recuo nas cotações do petróleo no mercado internacional
A Petrobras anunciou a redução de 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir deste mês de junho. A queda equivale a R$ 0,93 por litro em relação ao valor praticado em maio.
Segundo a estatal, a redução ocorre após sucessivas altas registradas desde março e reflete a diminuição das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que vinham pressionando as cotações internacionais do petróleo.
Nos últimos meses, o aumento dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou o preço da commodity, principalmente devido ao risco de interrupção no fornecimento global — com destaque para o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de petróleo no mundo.
Como o querosene de aviação acompanha essas variações, o cenário impactou diretamente os custos das companhias aéreas. Com a queda anunciada agora, há expectativa de alívio nas despesas do setor e possível redução na pressão por reajustes nas passagens.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, o combustível chegou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas após as recentes altas.
Apesar da redução em junho, o querosene de aviação ainda acumula alta de 54,5% em 2026. Em comparação com dezembro do ano passado, o preço médio segue R$ 1,98 por litro mais caro.
Na semana passada, o governo federal prorrogou até 31 de julho a isenção de impostos sobre a venda e importação do QAV e do biodiesel. A medida faz parte de um pacote econômico para conter os impactos da alta dos combustíveis no país.
O conjunto de ações inclui subsídios ao diesel, gás de cozinha e querosene de aviação, além de linhas de crédito para o setor aéreo. Segundo o governo, o custo estimado do pacote é de R$ 30,5 bilhões, com compensação prevista por meio de outras receitas, como royalties do petróleo.
Mesmo com mais de 80% do querosene sendo produzido no Brasil, os preços continuam atrelados ao mercado internacional, o que mantém o setor aéreo sensível às oscilações globais.


.gif)