Eric Wynalda, que defendia os EUA na fatídica partida, revelou que o Andrés Escobar parecia ter uma 'premonição' de que algo ruim aconteceria a ele ao voltar para casa eliminado
Colombiano Andrés Escobar faz gol contra em partida na Copa de 1994 — Foto: AFPUm dos capítulos mais tristes da histórias do futebol foi escrrito com sangue na Colômbia: o assassinato do capitão e zagueiro colombiano Andrés Escobar durante a Copa do Mundo de 1994.
O gol contra de Escobar diante de mais de 93 mil pessoas em Pasadena (Califórnia) ajudou os EUA, considerados azarões, a saírem na frente contra uma talentosa seleção colombiana que não correspondeu às expectativas e foi eliminada na fase de grupos. Esse infortúnio do defensor teria um preço alto.
Eric Wynalda, que vestia a camisa da seleção dos EUA na partida, afirmou ao "Sun" que podia sentir o medo nos olhares dos colombianos. E esse temor não tinha nada a ver com os adversários do outro lado do campo.
"Percebemos isso nos olhos deles durante o jogo. Nossa atuação foi realmente fantástica e aproveitamos um pouco das inseguranças deles", disse Wynalda. "Com a Colômbia, sempre parecia haver uma comitiva de pessoas seguindo-os por toda parte, transmitindo aquela sensação de 'Ei, é melhor vocês ganharem ou então...'", completou ele.
Chamou a atenção de Wynalda exatamente a apatia de Escobar após a partida.
Wynalda e Escobar: jogo na Copa de 1994 foi o último entre os dois — Foto: Reprodução; Reprodução/Wikimedia CommonsA campanha deplorável da seleção colombiana chocou uma nação que já se recuperava da violência após a morte do megatraficante Pablo Escobar, um ano antes. Com o domínio de Escobar sobre o submundo do crime extinto, as ruas se tornaram um caos, com ameaças de morte cruzando fronteiras e chegando ao hotel da equipe nacional às vésperas do confronto decisivo contra os anfitriões.
Apenas dez dias após a derrota da Colômbia por 3 a 1, Escobar foi assassinado em frente a uma boate em Medellín (Colômbia), depois de tentar defender sua honra daqueles que o criticavam e ao desempenho da sua equipe. Sua morte chocou o mundo e deixou Wynalda, que já o havia enfrentado em outras ocasiões, devastado. O americano acredita que, após o gol contra, Escobar teve uma premonição de algo ruim esperava por ele em casa. A recepção aos atletas que regressavam da Copa tinha muito desapontamento de recriminação pelo desempenho. O gol contra de Escobar ficou marcado popularmente como um símbolo do fracasso colombiano nos EUA.
"Ele jogava duro. Jogava limpo. Era o primeiro a te ajudar a levantar se te derrubasse. E eu sempre o admirei pela maneira como se comportava em campo, mas ele não falava inglês direito. Eu disse em espanhol: 'Ei, que azar'. E nunca vou esquecer, é meio arrepiante. Ele disse: 'Você não tem ideia. Nenhuma ideia, p...'. Eu meio que interpretei isso como um sinal de que, sim, ok, eles estavam passando por alguma coisa. E eu nunca o tinha ouvido dizer nada parecido em todas as outras vezes que jogamos um contra o outro", relembrou.
O atirador, Castro Muñoz, foi preso no dia seguinte e confessou o assassinato. Ele foi condenado a 43 anos de prisão, mas cumpriu menos de 12 anos antes de ser libertado por bom comportamento em 2005.
Wynalda carrega a triste memória de Escobar desde então e até tentou reunir com a família do colombiano para entregar a camisa que trocara com o adversário após a partida em Pasadena. Ele viajou para a Colômbia em 2024 para entregá-la, mas foi enganado por um golpista que se fez passar por um parente do falecido jogador. A camisa amarela nunca mais foi encontrada.
Com informações do Extra

.gif)