Adoção sempre foi o primeiro plano de Agtha e do marido. Jonathan, de Guarulhos (SP). Depois de ampliar o perfil para receber uma criança com deficiência intelectual, eles conheceram Dom. Três dias após a chegada do bebê, veio outra surpresa: uma gravidez inesperada!
A enfermeira obstetra Agtha Lima, 30, e o marido, o feirante Jonathan Lima, também 30, nunca ficaram tão felizes ao ouvir o telefone tocar, como em junho de 2024. Eles sabiam que um sonho antigo estava prestes a se realizar. Depois de quatro anos na fila de adoção, eles, finalmente, conheceriam o filho que tanto esperavam. Mas o caminho não seria tão fácil.
Eles estavam ansiosos para encontrar Dom, um bebê de 2 meses, com síndrome de Down. Porém, no dia marcado, o pequeno apresentou sintomas gripais e precisou ser levado ao posto de saúde. Lá, eles descobriram que Dom precisaria ser internado, porque sua situação era grave.
Aghta e Jonathan tinham acabado de adotar Theo, quando descobriram a gestação — Foto: Reprodução/ InstagramEm meio à corrida entre hospital, Justiça e adaptação do filho mais velho, que chegou quando o casal já havia entrado na fila de adoção, outra notícia os pegou de surpresa: apenas três dias após a chegada de Dom, com toda a correria de internação, Agtha descobriu que estava grávida! Hoje, a família, que é de Guarulhos (SP), é formada por Theodoro, 4, Dom, 2, e Elisa, 1.
À CRESCER, Agtha conta que, apesar de todas as coincidências, a adoção sempre foi o primeiro projeto da família, diferente de muitas famílias que acabam querendo adotar por não poder ter filhos biológicos. "Sempre quis adotar. Minha mãe foi quem mais me ensinou sobre o amor e ela também adotou uma criança. Então, para mim, sempre foi muito natural querer adotar quando tivesse minha própria família", explica.
O casal entrou na fila de adoção em fevereiro de 2020. Pouco tempo depois, Agtha descobriu a primeira gravidez. Mesmo assim, desistir nunca passou pela cabeça deles. "Desde o primeiro passo, combinamos que iríamos até o fim”, diz a mãe.
A princípio, o perfil que eles tinham definido para adoção era de crianças de até 6 anos, sem deficiências. Anos mais tarde, uma experiência mudou a forma como enxergavam o processo. "Em dezembro de 2023 conheci um menino autista que me fez repensar o perfil que havíamos escolhido", relata. Depois de muito estudo e conversa, decidiram ampliar as possibilidades. "Alteramos o perfil para aceitar uma criança com deficiência intelectual. Fizemos isso com muita consciência e sem medo, porque entendemos quais seriam as demandas”, diz Aghta.
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Os três irmãos têm idades próximas: "Eles são muito amigos", diz a mãe — Foto: Reprodução/ Instagram
Quando receberam a ligação, a pessoa do outro lado da linha perguntou se eles estariam dispostos a aceitar uma criança com síndrome de Down. Eles não pensaram duas vezes. Quando conheceram Dom, a emoção foi imediata. "Nós nos apaixonamos por ele, tão pequenininho e lindo”, derrete-se a mãe.
Mas a felicidade logo precisou dividir espaço com o medo. "Ele foi internado em estado grave. Ficamos com muito receio de perder o filho que esperamos por tanto tempo e ansiosos pela autorização do juiz para podermos ficar com ele no hospital", lembra. Dom enfrentava uma bronquiolite.
Durante esse período, a rede de apoio fez toda a diferença. "O Theodoro, então com 2 anos, ficou com a minha mãe e a minha sogra, enquanto eu, o Jonathan e uma amiga nos revezávamos no hospital”, diz Aghta. Para ela, os dias no hospital foram vividos em “modo automático”. "Eu estava em uma verdadeira gestão de crise. Sou muito prática, então só fui pensar no puerpério adotivo quando chegamos em casa", afirma.
Embora estivessem na fila de adoção, antes da chegada de Dom, Aghta e Jonathan não descartavam uma gestação mais adiante. A posição deles na fila ainda estava distante e eles acreditavam que poderiam deixar o início das tentativas para o final de 2024.
"Depois que o Theo, nosso primeiro filho, nasceu, decidimos esperar pelo menos dois anos para engravidar novamente. Até então, estávamos nos prevenindo”, conta ela. Mas os planos mudaram completamente. "O Dom chegou em junho de 2024... e a gestação da Elisa também", conta, entre risos. "Acreditamos que Deus quis assim", acrescenta.
Mas não foi simples assimilar a notícia. "Demorei alguns dias para aceitar a gravidez”, admite Aghta. “Não porque eu não quisesse outro filho, mas porque todos chegaram de uma vez", explica. Com o passar das semanas, ela começou a aproveitar a nova fase. "Depois do primeiro trimestre, passei a curtir a ideia de ser mãe de três”, lembra.
Uma das grandes preocupações de Aghta, ao descobrir a gestação na sequência da chegada de Dom, era a vida prática. Ela tirou a licença pela adoção e, logo em seguida, precisaria tirar a licença-maternidade pela gestação. Felizmente, deu tudo certo. "Fui ouvida e compreendida no trabalho. Tirei as duas licenças em sequência", conta.
Depois desse período, decidiu mudar completamente a rotina profissional. "Optei por sair da empresa para me dedicar às crianças. Hoje estou reconstruindo minha vida profissional e migrando para o trabalho na internet e nas redes sociais", explica.
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A gestação foi uma surpresa, mas, aos poucos, o casal assimilou a ideia — Foto: Reprodução/ Instagram
A adaptação das crianças, com idades próximas, aconteceu de forma natural, segundo a mãe. Quando Elisa nasceu, Dom ainda tinha apenas 10 meses. "Ele praticamente cresceu vendo a irmã ao lado dele", afirma. É quase como se fossem gêmeos. Já Theodoro, que tinha pouco mais de dois anos, precisou de alguns dias para entender a novidade. "Desde pequeno ele sabia que teria um irmão que chegaria a qualquer momento. Quando o Dom chegou, sentiu ciúmes durante uns dois dias. Depois começou a construir o vínculo e tudo melhorou", tranquiliza. Hoje, a cumplicidade entre os três filhos é o que mais emociona os pais. "Eles se amam, se protegem demais e são muito amigos”, afirma, orgulhosa.
Embora a rotina seja intensa, Agtha diz que não mudaria nada da história que viveu. "O maior desafio é dar conta da intensidade que três crianças pequenas exigem. Eu sempre fico com receio de deixar alguém sem colo ou se sentindo excluído”, admite.
Mas basta observar os filhos juntos para ter a certeza de que tudo valeu a pena. "A maior alegria é vê-los crescendo com tanto amor um pelo outro. Cada abraço e cada risada que eles dão juntos aquecem o nosso coração como pais", finaliza.
Com informações da Revista Crescer

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