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| (Imagem ilustrativa) |
A chamada gravidez tardia é definida, na medicina, como aquela que ocorre a partir dos 35 anos de idade. Embora esse termo seja amplamente utilizado, especialistas destacam que cada vez mais mulheres engravidam após essa faixa etária, impulsionadas por mudanças sociais, profissionais e pessoais. Ainda assim, do ponto de vista biológico, a idade materna continua sendo um fator importante para o acompanhamento da gestação.
Segundo Carlos Campagnaro, ginecologista do Hospital São José e professor do Unesc, a classificação de gravidez tardia não significa que a gestação será necessariamente problemática, mas indica a necessidade de uma atenção maior durante o pré-natal. “A partir dos 35 anos, observamos mudanças fisiológicas que podem aumentar alguns riscos obstétricos e fetais. Isso não quer dizer que a mulher não possa ter uma gravidez saudável, mas sim que o acompanhamento médico deve ser mais criterioso”, explica.
Aos 45 anos, a gestação é considerada de idade materna avançada porque o organismo feminino já passou por importantes transformações relacionadas ao envelhecimento reprodutivo. Nessa fase, ocorre uma redução significativa da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos, fatores que influenciam tanto a fertilidade quanto o desenvolvimento da gravidez. “O envelhecimento dos óvulos aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas, além de tornar a concepção naturalmente mais difícil quando comparada às mulheres mais jovens”, afirma Campagnaro.
Na prática, a gestação tardia apresenta algumas diferenças em relação às gestações de mulheres mais jovens. Há uma maior necessidade de monitoramento da pressão arterial, do controle glicêmico e do crescimento fetal, além de uma investigação mais detalhada de possíveis alterações genéticas. Exames específicos de rastreamento costumam fazer parte da rotina do pré-natal para oferecer maior segurança à mãe e ao bebê.
Entre os principais riscos associados à gravidez tardia estão o aumento das chances de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e necessidade de cesariana. Também há maior incidência de alterações cromossômicas fetais, como a síndrome de Down. “No entanto, os avanços da medicina materno-fetal têm permitido identificar precocemente muitas dessas condições, reduzindo significativamente suas complicações. Hoje dispomos de recursos diagnósticos e de acompanhamento que possibilitam excelentes resultados mesmo em gestações consideradas de maior risco”, destaca o ginecologista.
Os cuidados extras realmente necessários envolvem um pré-natal iniciado precocemente e realizado de forma regular. “A adoção de hábitos saudáveis, incluindo alimentação equilibrada, prática de atividade física orientada, controle do peso corporal e acompanhamento de doenças pré-existentes, também é fundamental. Em alguns casos, o médico poderá solicitar exames complementares ou consultas com especialistas para um monitoramento mais detalhado”, diz o professor do Unesc.
A menor frequência de gestações após os 40 anos está diretamente relacionada à queda natural da fertilidade feminina. As mulheres nascem com uma quantidade limitada de óvulos e, ao longo da vida, tanto o número quanto a qualidade dessas células diminuem progressivamente. Esse processo se acelera especialmente após os 35 anos e se torna mais evidente depois dos 40 anos.
Apesar dos desafios biológicos, engravidar após os 40 anos não deve ser encarado como motivo de preocupação excessiva. “O mais importante é que a gestação seja planejada e acompanhada adequadamente. A idade, por si só, não determina o sucesso ou o fracasso de uma gravidez. O que faz a diferença é a avaliação individualizada da saúde da mulher e a realização de um pré-natal bem conduzido”, ressalta Carlos Campagnaro.
Nesse contexto, o pré-natal tem papel central para garantir a saúde materna e fetal. É durante esse acompanhamento que são identificados precocemente fatores de risco, monitorado o desenvolvimento do bebê e orientadas medidas preventivas para reduzir complicações. Além disso, o pré-natal oferece suporte à gestante em todas as fases da gravidez, contribuindo para uma experiência mais segura e tranquila. “O pré-natal é a principal ferramenta para promover uma gestação saudável, especialmente quando falamos de gravidez após os 35 ou 40 anos”, conclui Campagnaro.
Fonte: Agência Máquina



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