Rum Rabelo se descobriu não-monogâmica após o fim de um casamento de dez anos e explica como administra suas relações simultâneas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_71a8fe14ac6d40bd993eb59f7203fe6f/internal_photos/bs/2026/l/x/0G901zQiOX3Nm0rjnLCw/rum-rabello.jpg)
Rum Rabelo é não-monogâmica e vive vários relacionamentos ao mesmo tempo — Foto: Reprodução/Instagram
Antes de se descobrir como não-monogâmica, Rum Rabelo viveu um casamento monogâmico de dez anos. Hoje, aos 30 anos, a criadora de conteúdo e dominatrix, que se identifica como uma pessoa de gênero fluido e afirma não ter preferência por pronomes, compartilha detalhes de seus relacionamentos não monogâmicos para mais de 69 mil seguidores nas redes sociais. O termo, no entanto, só entrou em sua vida após uma conversa com sua tatuadora.
Durante uma sessão com a então esposa e um casal de tatuadores, Rabelo viu uma mulher descer as escadas da casa, sentar ao lado da profissional e lhe dar um beijo, mesmo na presença do marido dela. Surpresa com a cena, questionou o que estava acontecendo. "Ela me falou: 'Relaxa, está tudo bem. Somos não-monogâmicos'", relembra Rabelo em conversa com a GQ Brasil.
“Ela me explicou que eles tinham acordos, que essa menina era namorada dela e que ficava com o marido às vezes. E com ela me explicando essa rotina deles, eu fiquei chocado no sentido de ‘isso é possível?’. Quando saímos de lá, minha esposa só falava da tatuagem dela, e eu só conseguia pensar em não-monogamia.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_71a8fe14ac6d40bd993eb59f7203fe6f/internal_photos/bs/2026/9/j/iSlz9lRpekPuruapkrkg/saveclip.app-688126729-17999243093927932-3264488495371438051-n.jpg)
Rum Rabelo é não-monogâmica e vive vários relacionamentos ao mesmo tempo — Foto: Reprodução/Instagram
Apenas após o fim do casamento, há oito anos, Rabelo passou a explorar a não-monogamia por meio de livros, pesquisas e criadores de conteúdo na internet para entender melhor esse modelo de relacionamento. “Não senti em momento algum como se eu estivesse vendo uma ilha, e sim como se estivesse chegando em casa”, conta.
Hoje, ela vive três namoros oficiais, sete afetos, além de outros relacionamentos mais informais. Mas antes de chegar à dinâmica que vive atualmente, Rabelo passou por momentos difíceis de desconstrução no primeiro ano se redescobrindo. “Quebrei muito minha cara. Foram oito anos estudando a não-monogamia, onde eu tive relações tóxicas, com muitos acordos falhos”, recorda.
Com o passar dos anos, esse cenário mudou. Segundo a criadora de conteúdo, a não-monogamia não é tão difícil quanto muitos imaginam, mas o processo de desconstrução de uma visão monogâmica sobre os relacionamentos pode ser doloroso. Atualmente, ela vive em harmonia com as pessoas com quem se relaciona e mantém apenas um acordo entre todos os vínculos: que não haja mentiras.
“Peço sempre que, independente do que aconteceu ou o quão estranho você se sentiu, me falem a verdade. Eu quero saber, porque se eu tiver esse sentimento de estar sendo enganada, é algo que não gosto, como um resquício da monogamia”, explica.
Organizando as relações
Administrar dez relacionamentos simultâneos exige organização. Para dar sua devida atenção para as pessoas com quem se relaciona, Rum Rabelo criou uma espécie de planilha, onde reúne informações importantes sobre seus afetos. Ela tem um grupo de WhatsApp onde anota itens como restrições, preferências e até alergias.
“Como exemplo, quando uma delas vem tomar café da manhã na minha casa, sei que uma é alérgica a mel, outra não gosta de mel e outra ama mel. Para saber quem é quem, consulto a planilha, porque tenho TDAH e sou ser humano. É uma forma que achei de manter o controle e agradar todo mundo”, justifica.
A ideia vem de seu trabalho com BDSM, já que, como dominatrix, ela precisa negociar termos com seus clientes e entender o que as pessoas gostam, não gostam e suas restrições para fazer sessões seguras, saudáveis e prazerosas. “Daí eu pensei em aplicar isso nas minhas relações amorosas e nunca mais me confundi.”
Em sua rotina, Rabelo encaixa seus relacionamentos entre seus compromissos de trabalho, faculdade e cuidados com a casa. “Não coloco as relações como centro da minha vida, mas sim orbitando na volta. Então se na sexta-feira não tenho nada para fazer, convido uma para vir em casa. Na segunda, pergunto como está a agenda de outra. Assim, vamos encaixando conforme a minha rotina e a delas permite”, explica.
Para ela, os relacionamentos não seguem uma estrutura rígida, mas se adaptam às mudanças naturais da vida, assim como qualquer outro vínculo afetivo. Essa dinâmica, segundo ela, permite que o amor romântico deixe de ocupar o centro da vida e que cada pessoa volte a olhar para si mesma. “Você se descobre como pessoa: quais são seus hobbies, o que você gosta de fazer, qual é sua cor favorita, o que você gosta no café da manhã, para onde você quer viajar. Tudo isso volta a ter a devida importância.”
Como as pessoas com quem se relaciona são amigas e mantêm uma boa convivência entre si, a criadora de conteúdo diz que isso torna mais fácil equilibrar a rotina entre os diferentes afetos. Não é raro, por exemplo, que elas se encontrem em programas em grupo ou dividam momentos do dia a dia, o que reduz a necessidade de separar completamente cada relacionamento.
“Todos se conhecem, se dão bem entre eles e respeitam o espaço. Algumas são amigas. Essa dinâmica funciona muito bem porque ela é comunicada, do tipo: ‘Vou estar com fulana de tal horário a tal horário’. Elas até curtem stories em que as outras aparecem, muitas vezes até saem juntas. São dinâmicas bem divertidas.”
O ciúmes vem apenas em momentos específicos, quando uma não quer que Rabelo assista uma série que estão assistindo juntas com outra pessoa. Quando é algo mais sério, elas conversam, buscam entender de onde surgiu esse sentimento e trabalham ele na conversa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_71a8fe14ac6d40bd993eb59f7203fe6f/internal_photos/bs/2026/L/q/9YyPT9RiSrMiIcCC9zHA/saveclip.app-726868496-17934071382318830-1830722785264034157-n.jpg)
Rum Rabelo é não-monogâmica e vive vários relacionamentos ao mesmo tempo — Foto: Reprodução/Instagram
“Atualmente estou muito feliz com minhas relações, porque temos funcionado super bem. Como eu vivi um longo relacionamento monogâmico, sei que isso não é para mim. Então a não-monogamia não só funciona muito bem para mim, como me faz muito feliz”, reflete.
Para ela, o principal aprendizado da não-monogamia foi entender que o amor não precisa ser encarado como uma disputa, mas como um sentimento capaz de coexistir entre diferentes pessoas. Segundo ela, essa mudança de perspectiva também reduziu o medo do abandono e a pressão de precisar suprir todas as necessidades de um parceiro.
"O amor não se substitui, se soma. A não-monogamia me ensinou que ninguém precisa suprir todas as necessidades do outro. Isso tirou das minhas costas um peso ansioso muito grande. Agora consigo viver as relações sem a preocupação do medo do abandono, do medo de não ser suficiente", conclui.
Com informações gq.globo

.gif)