Voto feminino amplia vantagem de Lula e se torna desafio para Flávio, aponta pesquisa


Levantamento indica empate técnico no geral, mas revela diferença expressiva entre eleitoras, que podem decidir a eleição


A mais recente Pesquisa Futura, divulgada nesta terça-feira (14), mostra um cenário de forte polarização na disputa presidencial, com empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro. Apesar do equilíbrio geral, o recorte por gênero revela uma vantagem significativa de Lula entre o eleitorado feminino.

No cenário com todos os pré-candidatos, Lula aparece com 40,1% das intenções de voto, contra 36,8% de Flávio. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, há empate técnico. No entanto, entre as mulheres — que representam 52,8% do eleitorado brasileiro — o presidente amplia a vantagem: 42,5% contra 32,6% do senador.

Em um segundo cenário, com menos candidatos, Lula mantém desempenho superior entre as eleitoras, chegando a 45,3%, enquanto Flávio atinge 34,9%. Já em uma eventual disputa de segundo turno, Lula também lidera entre o público feminino, com 50% das intenções de voto, contra 40,4% do adversário.

Por outro lado, entre os homens, o cenário se inverte. Flávio Bolsonaro aparece à frente, com 52,2% das intenções de voto, enquanto Lula registra 42,4%. Ainda assim, analistas apontam que a vantagem masculina pode não ser suficiente para compensar a força do eleitorado feminino.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçam esse peso. Além de serem maioria, as mulheres também costumam comparecer mais às urnas. Nas eleições de 2022, a abstenção entre homens foi de 22%, contra 20% entre mulheres. Em 2024, a diferença se manteve em dois pontos percentuais.

Outro fator que chama atenção é a rejeição. Flávio Bolsonaro lidera nesse quesito entre as mulheres, com 49,5%, seguido por Lula, com 43%, e Michelle Bolsonaro, com 37,9%.

O cenário ganha ainda mais complexidade diante de recentes desgastes no campo político de Flávio. Uma crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e declarações polêmicas de aliados sobre o voto feminino repercutiram negativamente, aumentando a preocupação da campanha em relação a esse eleitorado estratégico.

Especialistas avaliam que, em uma eleição acirrada, o voto feminino pode ser decisivo para definir o resultado nas urnas, ampliando a pressão sobre os candidatos na reta final da campanha.



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