Foragidos há mais de um ano, suspeitos de matar amigos ao cobrar dívida no PR são presos em SP


Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo foram encontrados em Rio das Pedras (SP). Eles são principais suspeitos de envolvimento nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, em Icaraíma (PR).

Antonio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22 • Reprodução

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) prendeu, no início da manhã desta terça-feira (18), os principais suspeitos de envolvimento nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, ocorridas no estado no ano passado.

Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho, estavam foragidos havia mais de um ano. Os dois tinham os nomes na lista vermelha da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal.

Carlos Henrique Buscariollo, filho de Antônio, também foi preso em Santa Bárbara do Oeste (SP). Um quarto homem envolvido nos homicídios foi identificado pela polícia e já estava preso por outro crime no momento da operação. O nome dele não foi divulgado.

No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto (SP) a Icaraíma (PR) para encontrar com Alencar e cobrar uma dívida de R$ 255 mil da família Buscariollo. Os quatro foram vistos pela última vez um dia depois e passaram a ser considerados desaparecidos. Os corpos foram encontrados mais de um mês depois, enterrados em um bunker.

Antônio Buscariollo e Paulo Buscariollo foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP), segundo a polícia.

O delegado Thiago Teixeira informou que os quatro serão encaminhados a Umuarama, no Noroeste do Paraná.

Segundo a Polícia Civil, os foragidos foram localizados após diversos levantamentos de inteligência policial e monitoramento realizado pela PC-PR.

“Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata”, disse o delegado da PCPR Thiago Teixeira, por meio de nota.

Em nota, a defesa de três dos suspeitos disse aguardar a audiência de custódia e que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso. 


A dívida

Diego Henrique Da esqueda para a direita, Afonso, Robishley, Rafael e Alencar. — Foto: Reprodução

A polícia apurou que as quatro vítimas fariam uma cobrança relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo.

O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga. Caso os cobradores conseguissem o pagamento, receberiam metade do valor arrecadado.

Ainda no dia 4 de agosto, todos foram até o distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, a polícia apurou que os Buscariollo tentaram ceder uma casa na área urbana da cidade, mas as partes não chegaram a um acordo.

A câmera de segurança de uma panificadora de Icaraíma fez o último registro dos quatro com vida na manhã do dia 5 de agosto. Veja abaixo:

Vitimas foram vistas pela última vez em uma padaria em Icaraíma. — Foto: Polícia Civil (PC-PR)

Segundo a polícia, por volta das 12h daquele mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez. Também foi nesta data que a polícia acredita que os quatro homens foram mortos em uma emboscada assim que voltaram à propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30.

Em 6 de agosto de 2025, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos dele, sem saber dos homicídios.


O que a defesa diz

O advogado Renan Farah, que representa três dos suspeitos, diz aguardar a audiência de custódia e que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso. Leia na íntegra:

"A qualidade de advogado de Paulo e Antônio Buscariolo vem esclarecer que eles foram presos e passarão agora pela chamada audiência de custódia. É importante explicar que a audiência de custódia não é um julgamento e não serve para declarar alguém culpado ou inocente. É o momento em que o Poder Judiciário analisa a legalidade da prisão e, principalmente, se existia efetiva necessidade de que essas pessoas permaneçam presas durante o andamento do processo.

Também foi preso Carlos Henrique Buscariolo, outro integrante da família. E em relação a este, existe uma circunstância extremamente relevante, que será demonstrada pela defesa. Carlos Henrique sequer se encontrava na cidade na época dos fatos criminosos que estão sendo imputados à família. A defesa possui elementos para demonstrar essa circunstância, e ela será apresentada e comprovada no momento processual adequado.

Nesse momento, o nosso trabalho é assegurar que todos tenham suas garantias constitucionais respeitadas, que as prisões sejam analisadas individualmente e que nenhuma conclusão antecipada seja construída simplesmente em razão da repercussão do caso.

A defesa confia na análise técnica do Poder Judiciário e prestará os demais esclarecimentos, conforme o processo avançar.

Agora não tem mais desculpa para nós termos acesso integral ao processo, uma vez que já foram presos e não tem mais motivo para a defesa saber por que foram e quais circunstâncias, quais provas, trouxeram a sua prisão. Sem mais."

 

VEJA AQUI O VÍDEO



Fonte: g1 PR




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