Adolescente de 17 anos relatou ter sido tocada nos seios, enquanto outras estudantes teriam recebido comentários de cunho sexual; prefeitura suspendeu atendimentos do médico

Unidade de Saúde onde médico foi preso após importunar sexualmente grupo de adolescentesIsabelle Oliveira
O médico, de 63 anos, foi preso nesta quinta-feira (24) suspeito de violar sexualmente um grupo de adolescentes em uma Unidade de Saúde da Família (USF), em Vila Velha. Segundo o boletim de ocorrência, uma das estudantes, de 17 anos, relatou ter sido tocada nos seios e em outras partes do corpo durante uma consulta, enquanto as demais teriam sido alvo de comentários de cunho sexual feitos pelo mesmo profissional.
As adolescentes foram à unidade para realizar exames de aptidão física relacionados ao programa Jogos na Rede, da Secretaria de Estado da Educação (Sedu-ES). Segundo o relato da adolescente, enquanto as amigas eram atendidas por enfermeiras e compareciam ao consultório apenas para entregar o laudo, ela foi tocada de forma inapropriada nos seios e em outras partes do corpo durante o atendimento médico.
A mãe da jovem contou que estava em casa quando recebeu uma ligação da coordenação da escola, pedindo que comparecesse à instituição porque algo havia acontecido com a filha. Ao saber que a filha havia ido à unidade de saúde para realizar exames exigidos para a participação nos jogos escolares, a mãe questionou se as adolescentes estavam acompanhadas por algum profissional da escola, mas foi informada de que tinham ido sozinhas.
“Ele [o coordenador] disse que, acima de 12 anos, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, podem escolher ir sozinhos ou acompanhados. Eu não entendi o porquê. Ele virou para mim e falou que minha filha tinha sido aliciada pelo médico. Quando eu vi minha filha, ela estava em prantos e confirmou que o médico tinha passado as mãos nos seios dela e parece que tinha falado algumas barbaridades para as outras alunas”, relatou.
Mãe questiona falta de acompanhamento da escola
Ainda segundo a mãe, após encontrar a filha, ela foi até a unidade de saúde e procurou o consultório do médico. Na ocasião, o suspeito atendia um casal, que, conforme o relato da mulher, teria reagido à presença dela e da adolescente.
“Esse casal infelizmente foi contra mim. Agrediu minha filha e nos empurrou para fora do consultório. Ficaram lá dentro com o médico”, contou.
A mãe contou ainda que foi informada pela coordenadora da unidade de saúde que o médico não poderia tocar na adolescente e que apenas as enfermeiras estavam autorizadas a realizar aquele procedimento.
"Eu questionei para a diretora: que absurdo é esse que adolescentes, no horário de aula, sem os pais autorizarem, vão ao médico? A gente achando que eles estão na escola, e eles entregam esses adolescentes nas mãos de lobos. Não relataram nada para mim, eu não assinei nada liberando", desabafou.
A Guarda Municipal foi acionada após a ocorrência. Posteriormente, uma equipe da Polícia Militar compareceu ao local para prestar apoio. O médico foi conduzido à Delegacia Regional de Vila Velha, onde foi autuado em flagrante por violação sexual mediante fraude e encaminhado ao presídio.
Os nomes da escola e do bairro onde fica a unidade de ensino não estão sendo divulgados para preservar a identidade das menores de idade, conforme prevê o
Médico teve agenda suspensa após episódio
Em nota, a Secretaria de Saúde de Vila Velha informou que, ao tomar conhecimento do episódio, a coordenadora da unidade de saúde acionou o botão do pânico e a Guarda Municipal de Vila Velha foi chamada.
Além disso, a pasta frisou que comunicou o caso ao programa Mais Médicos, do Governo Federal, do qual o profissional faz parte, e suspendeu preventivamente as agendas do médico na rede municipal. "A Secretaria aguarda agora a conclusão da investigação policial."
Sedu diz que caso aconteceu fora do horário de aula
Questionada sobre os exames de aptidão física exigidos para a participação nos Jogos na Rede, a Secretaria da Educação (Sedu) informou que os estudantes só podem participar da competição mediante autorização dos pais ou responsáveis. Segundo a pasta, o documento de autorização também informa expressamente a necessidade de apresentação de laudo médico para a participação nas atividades esportivas.
"Dessa forma, as famílias recebem previamente as orientações sobre os procedimentos e requisitos necessários para a participação dos estudantes na competição. No caso em questão, o exame de aptidão física foi realizado fora do horário de aula. Ao tomar conhecimento da situação relatada, a unidade escolar adotou as providências cabíveis e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos necessários", informou a Sedu.
Com informações de A gazeta

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