Cena de série faz criança contar à mãe sobre abuso sexual em Colatina


Homem de 62 anos foi condenado a mais de 24 anos de prisão e acabou localizado na Bahia após fugir do Espírito Santo

Divulgação | PC

Uma cena de uma série de televisão acabou sendo decisiva para que uma criança revelasse à mãe que vinha sendo vítima de violência sexual há anos, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. De acordo com a Polícia Civil, o menino estava assistindo ao programa acompanhado da mãe quando reconheceu, na situação exibida, atos semelhantes aos que uma pessoa próxima da família praticava contra ele.

Depois de ouvir o relato do filho, a mãe procurou a polícia e comunicou o caso. A investigação foi realizada e posteriormente encaminhada à Justiça. Em maio deste ano, o homem apontado como autor dos abusos foi condenado a 24 anos, quatro meses e 15 dias de prisão.

Para preservar a vítima e impedir qualquer possibilidade de identificação, a Polícia Civil não divulgou o nome da criança, do condenado ou de outras pessoas envolvidas. O bairro onde os crimes aconteceram também não foi informado.

Após a condenação, o homem, de 62 anos, deixou o Espírito Santo e se mudou para Teixeira de Freitas, na Bahia. Ele foi localizado e preso pela Polícia Civil baiana na terça-feira (29). A prisão foi divulgada pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (1º).


Delegada alerta para sinais apresentados por crianças

A delegada Jaciely Favoretté, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso (DPCAI) de Colatina, ressaltou que familiares e responsáveis devem ficar atentos a mudanças de comportamento e relatos feitos por crianças.

Segundo ela, a vítima pode não compreender que determinado contato ou situação caracteriza violência sexual, mas consegue descrever acontecimentos que chamem sua atenção.

“Qualquer ato sexual ou libidinoso, ainda que não tenha penetração, praticado contra menor de 14 anos é considerado estupro de vulnerável. Muitas vezes, as crianças não sabem o que é um ato sexual, mas conseguem relatar fatos: ‘Ah, o tio fica olhando quando eu vou tomar um banho’, por exemplo”, explicou a delegada.

No caso investigado em Colatina, a mãe já havia percebido alguns sinais físicos no filho antes de descobrir o abuso. Conforme Jaciely, a criança apresentava episódios em que ficava “um pouco assado” e também reclamava de dor ao evacuar.

“A mãe disse que percebia que, às vezes, o filho se encontrava um pouco assado e reclamava de dor para evacuar. A gente tem que prestar sempre muita atenção, porque um sinal que parece uma bobeira pode indicar outra situação”, afirmou.


Pessoas próximas estão entre os autores, diz polícia

A delegada também chamou atenção para o fato de que casos de violência sexual contra crianças e adolescentes frequentemente envolvem pessoas que fazem parte do convívio da vítima.

Segundo Jaciely, familiares e conhecidos podem se aproveitar da relação de confiança construída com a criança. Ela citou pais, avós, tios, filhos, irmãos, padrastos e vizinhos entre as pessoas que podem estar envolvidas nesse tipo de crime.

“Infelizmente, a grande maioria dos casos acontece por pessoas próximas: pais, avós, tios, filhos, irmãos, padrasto e vizinhos. Eles se utilizam dessa confiança da criança, que pode acreditar que aquilo é um carinho. Dependendo da idade, a criança ainda não consegue diferenciar o que é um carinho de um abuso”, destacou.


Denúncia rápida pode ajudar investigação

Além de contribuir para interromper a violência, a comunicação rápida do caso às autoridades pode ser importante para a preservação de elementos que auxiliem na investigação.

No caso de Colatina, segundo a delegada, não foi possível obter provas periciais devido ao tempo transcorrido entre a descoberta do abuso pela mãe e a denúncia.

“No caso de Colatina, não conseguimos coletar provas periciais pelo lapso de tempo entre a mãe descobrir e denunciar. Então, é extremamente importante a gente prestar atenção aos sinais e agir rapidamente”, afirmou Jaciely.





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