“Os
documentos que atestam a existência dos povos, a existência fecunda, de
atividade, de trabalho, de empreendimentos, de progresso, devem ser conservados
como relíquias santas de um passado honroso, onde a posteridade vai beber
ensinamentos valiosos e revigorar-se ao calor dos exemplos que enobrecem”.
Com essas palavras, o jornal o “Commercio do Espírito Santo” relata o evento de
inauguração do “Archivo Público Espírito-Santense”, instalado, inicialmente, em
um salão no Palácio do Governo, atual Palácio Anchieta. Nesta quinta-feira
(18), a instituição comemora os 111 anos da sua fundação, marcada pela
publicação do Decreto nº 135, de 18 de julho de 1908.
A notícia que anuncia a sua abertura ao público comunica, que estiveram
presentes, em uma “empolgante solenidade”, o presidente de Estado, Jerônimo
Monteiro, o bispo Júlio Pereira Leite, deputados, funcionários estaduais e
federais, dentre outras autoridades. Deocleciano Nunes de Oliveira, a quem foi
confiada a responsabilidade da organização do acervo, pediu licença para ler um
trecho do relatório no qual provava o quanto era valiosa essa iniciativa, que
tinha, conforme argumenta, “o dever indeclinável de conservar com carinho o
legado das gerações que se iam sucedendo”.
Deocleciano
afirma, que diante da grandeza da ideia, coroada com êxito brilhante, não se
sabia o que era mais admirável: a perfeição do serviço ou a sua incontestável
utilidade. Ele finaliza o seu discurso ressaltando: “Analise o ato e verás que
os benefícios dele decorrentes, aproveitam o Estado e o seu povo. Para o
governo, as glórias de haver contribuído para a integridade de sua história,
pondo ao alcance dos investigadores o fio que os conduzirá à verdade do
pretérito; para o ilustre encarregado da missão de selecionar e ordenar os
documentos, essas recordações palpitantes do passado de um século, a
consciência de haver concorrido, de um modo eficaz e brilhante, para que o
governo pudesse restituir ao povo preciosa herança”.
Após
as falas dos presentes, foi percorrido, segundo o redator, todo o espaço do
arquivo, admirando-se a ordem e a correção com a qual foi feita tão árdua
tarefa. Na reportagem, há informações que permitem apreender como era a
estrutura do órgão na época, que estava dividido em três seções: a secretaria
do governo, o tesouro e a agência de rendas. Sobre o local descreve o
periódico: “O Arquivo Público está instalado na ala direita, ultimo pavimento
do Palácio do Governo, em um salão preparado para receber os preciosos
documentos que constituem o laço de união entre o passado e o presente do
Espírito Santo”.
Arquivo
Público do Estado do Espírito Santo
Em seu
conjunto o acervo do Arquivo Público - composto por diferentes documentos,
datados a partir de 1768, tais quais processos, papéis oficiais, cartas,
fotografias, negativos, livros, películas, fitas de áudio e vídeo, vinis,
microfilmes, mapas e mídias digitais - é uma das principais fontes para os
estudos da história social, econômica, política e cultural capixaba. A instituição
possui também as cópias digitalizadas dos documentos que estão guardados pelo
Arquivo Ultramarino de Portugal, abrangendo o período de 1534 a 1822. Para
pesquisas, pode-se efetuar uma visita à sede, que está aberta das 10h às 17h30,
de segunda a sexta-feira, na Rua Sete de Setembro, 414, no Centro de Vitória.
Arquivo Público do Estado do Espírito Santo


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